No início da guerra contra o Irão, as notícias eram de que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, seria um dos “vencedores” do conflito - nos mais de 18 anos que passou no poder (não de forma contínua) tem avisado constantemente contra a “ameaça existencial” de Teerão e finalmente os EUA estavam prontos para o apoiar nesta luta. Mas, em ano eleitoral em Israel e com o prolongar do conflito, Netanyahu arrisca não ter os benefícios que esperava nas urnas. Uma sondagem do Instituto da Democracia de Israel, citada na sexta-feira (27 de março) pelo site The Times of Israel (mas que só será revelada na totalidade esta semana), concluiu que 78% dos judeus israelitas apoiam a guerra em curso contra o Irão. Contudo, a intensidade desse apoio diminuiu no último mês, com apenas 50% a dizerem apoiar fortemente o conflito (eram 74% no início de março). O aparente cansaço dos israelitas com os ataques iranianos, que já fizeram pelo menos 15 mortos em Israel, traduz-se também no aumento dos que dizem ser contra a guerra: 11,5% (eram só 4% nas duas sondagens anteriores). Mesmo quando os números eram mais positivos, não se traduziam em mais votos para o Likud de Netanyahu. Nas eleições de 2022, a coligação original (a mais à direita de sempre em Israel) elegeu 64 deputados (dos 120 no Knesset), contando atualmente com 68 (entretanto o Nova Esperança, de Gideon Sa’ar, juntou-se ao Executivo). Mas as sondagens dão-lhe agora apenas 51 deputados, com o Likud a não ir além dos 28 (menos quatro do que tem agora), sendo que no início do mês eram 31 (crescia à custa dos próprios parceiros). O bloco da oposição surge com 59 deputados na última sondagem do The Times of Israel (na sondagem na semana anterior tinha só 56, frente a 54 da coligação), com o novo partido do ex-chefe do Estado maior das Forças de Defesa de Israel Gadi Eisenkot a conseguir o maior apoio, com 16 representantes (o partido de Naftali Bennett, que já foi chefe de Governo, tem 15). Estes números ajudam a explicar porque o Governo de Netanyahu terá deixado cair a ideia de antecipar as eleições, previstas apenas para 27 de outubro. A agência de notícias Reuters alega que, apesar de inicialmente ter visto no ataque que matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, uma oportunidade para o Likud e a sua coligação, o primeiro-ministro terá entretanto acelerado a aprovação do orçamento. Se este chumbasse as eleições teriam que ocorrer no prazo de 90 dias e em cima da mesa terá chegado a estar a possibilidade de eleições em junho. O prazo para a aprovação do orçamento termina amanhã e tudo apontava para que fosse aprovado na madrugada de domingo para segunda. Os números não parecem ter melhorado com a guerra, mas é incerto o que podem fazer com uma eventual paz. Numa análise no jornal Haaretz há umas semanas, a consultora e jornalista Dahlia Scheindlin lembrava que depois do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza de outubro de 2025 e da libertação de todos os reféns, a coligação teve os melhores resultados nas sondagens (57 deputados). Tal como já tinha acontecido depois de uma primeira trégua, no início de janeiro, com os números a voltarem a cair depois de ficar claro que a guerra não tinha na realidade acabado.Entretanto, a oposição já se mexe. Em várias entrevistas, Bennett acusou Netanyahu de estar a “destruir o Estado de Israel” e de dar prioridade à política, em vez de se focar na segurança (na questão da isenção do serviço militar obrigatória para os ultra-ortodoxos). “Sou a única pessoa que substituiu Netanyahu como primeiro-ministro na última geração. Sei como fazer, já o fiz, e vou voltar a fazê-lo”, acrescentou, alegando ter feito uma oferta “generosa” a Eisenkot para uma aliança e rejeitando a hipótese de servir num Governo de Netanyahu (mas não a de aliar-se ao Likud)..UE diz que aprendeu a lição e está a usar a diplomacia para evitar vaga de refugiados do Irão.Irão: um plano de paz de Trump que aponta para uma escalada da guerra