Um rapaz palestiniano levanta os braços perante um veículo militar israelita durante o raide em Jenin.
Um rapaz palestiniano levanta os braços perante um veículo militar israelita durante o raide em Jenin.Ronaldo SCHEMIDT / AFP

Israel avança com grande operação na Cisjordânia e quer retirar palestinianos

Benjamin Netanyahu mostrou desagrado com as novas sanções dos EUA contra colonos israelitas. Mais de 650 palestinianos já morreram no território ocupado desde 7 de outubro.
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Israel lançou uma operação em grande escala na quarta-feira na Cisjordânia, onde o exército disse ter matado combatentes palestinianos - contas dos militares apontam para nove militantes, enquanto o Crescente Vermelho palestiniano relatou 10 mortes na região, onde a violência tem vindo a aumentar.

Às primeiras horas de quarta-feira, Israel lançou ataques coordenados em quatro cidades do norte da Cisjordânia - Jenin, Nablus, Tubas e Tulkarem - onde os militares concentraram grande parte das suas operações recentes contra grupos armados. Colunas de veículos blindados entraram em dois campos de refugiados, em Tulkarem e Tubas, bem como em Jenin.

Ao meio-dia, estavam a bloquear as entradas das cidades e campos de refugiados, segundo relatos de fotógrafos da AFP, com soldados a disparar contra os acampamentos, ouvindo-se tiros e explosões. Além dos dez mortos, o Crescente Vermelho avançou que 22 pessoas ficaram feridas nestes ataques. O líder desta organização médica na Cisjordânia, Younes al-Khatib, referiu ainda que ambulâncias foram atacadas por forças israelitas e “um dos nossos funcionários foi atingido”.

Na sequência dos ataques desta quarta-feira, o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, encurtou uma visita à Arábia Saudita e voltou para casa para “acompanhar os últimos desenvolvimentos à luz da agressão israelita”, segundo informaram os media oficiais palestinianos.

Embora as operações militares israelitas se tenham se tornado uma ocorrência diária na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, é raro que ocorram em várias cidades simultaneamente. Nas últimas semanas, estas operações concentraram-se principalmente no norte do território, onde os grupos armados que combatem Israel são mais ativos. 

“O exército opera com todas as suas forças desde a noite nos acampamentos de refugiados de Jenin e Tulkarem para desmantelar a infraestrutura terrorista islamista iraniana lá localizada”, afirmou esta quarta-feira o líder da diplomacia israelita. Na sequência da operação militar desta quarta-feira, Israel Katz propôs a retirada temporária de população da Cisjordânia para “destruir infraestruturas terroristas”. “Devemos enfrentar a ameaça da mesma forma que abordamos a infraestrutura terrorista em Gaza, incluindo a retirada temporária dos residentes palestinianos e quaisquer outras medidas necessárias. Essa é uma guerra para todos e devemos vencê-la”, prosseguiu o ministro israelita na rede social X.

Mais de 650 palestinianos morreram na Cisjordânia por ações do exército israelita ou de colonos desde 7 de outubro, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais palestinianos. Por outro lado, pelo menos 20 israelitas morreram naquele território, entre eles soldados atacados por palestinianos ou participantes em incursões militares, de acordo com dados oficiais de Telavive.

Esta quarta-feira, o exército israelita admitiu ter “falhado” na resposta a um ataque de colonos na Cisjordânia ocupada no início do mês, que autoridades palestinianas disseram ter matado um homem. O major-general Avi Bluth, chefe do Comando Central militar que opera na Cisjordânia, foi citado num comunicado dizendo que o ataque foi “um incidente terrorista muito sério no qual israelitas decidiram prejudicar deliberadamente os residentes da cidade de Jit, e falhamos ao não conseguir chegar mais cedo para protegê-los”.

Por outro lado, e esta quarta-feira também, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse ver “com a maior severidade” as novas sanções impostas por Washington aos colonos israelitas na Cisjordânia devido à violência contra palestinianos, acrescentando que “a questão está em discussão acirrada com os EUA”.

Guerra aberta do ocupante

A Jihad Islâmica, um movimento islamista palestiniano aliado ao Hamas, denunciou uma “guerra aberta por parte do ocupante israelita”. “Com esta agressão, que visa transferir o peso do conflito para a Cisjordânia ocupada, o ocupante quer impor no terreno um novo Estado para anexar a Cisjordânia”, afirmou. Já o Hamas, cuja popularidade disparou na Cisjordânia desde o início da guerra de Gaza, enquanto a do partido Fatah de Abbas tem vindo a cair, apelou novamente na noite de terça-feira aos três milhões de palestinianos no território que “se levantem” contra Israel.

A ONU alertou que a mais recente operação militar de Israel na Cisjordânia “arrisca-se a agravar seriamente uma situação já catastrófica”.  “Israel, como potência ocupante, deve cumprir as suas obrigações de acordo com o direito internacional”, afirmou a porta-voz do Gabinete dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Ravina Shamdasani.

ana.meireles@dn.pt

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