As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) estão a operar no terreno para lá da chamada Linha Amarela no sul do Líbano, pondo mais um prego no caixão do cessar-fogo que, na prática, nunca saiu do papel.O acordo que entrou em vigor a 17 de abril não travou os ataques do Hezbollah com drones contra o norte de Israel (e estes têm vindo a intensificar-se), nem os bombardeamentos israelitas contra o grupo xiita no sul do Líbano (Beirute tem sido poupada, só tendo sido atacada uma vez desde então). A Linha de Defesa Avançada, como é oficialmente conhecida (a Linha Amarela é uma referência à que existe na Faixa de Gaza), foi criada após o acordo de cessar-fogo e serve para deliminar a “zona de segurança” e a área sob ocupação militar israelita. Estende-se cerca de 10 quilómetros para dentro do território libanês, para lá da chamada Linha Azul, desenhada pelas Nações Unidas em 2000 como linha de retirada de Israel e que marca a fronteira não oficial entre os dois países. Sob pressão de um acordo de paz entre os EUA e o Irão (que Teerão quer que inclua também o Líbano), o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou na segunda-feira à noite (25 de maio) o intensificar das ações militares contra o Hezbollah. Esta terça-feira (26 de maio), no início de uma reunião do gabinete de segurança, o primeiro-ministro confirmou que as IDF estão a “aprofundar as suas operações no Líbano”. Netanyahu disse que “estão a operar com grandes contingentes em terra e a conquistar posições estratégicas” e a “reforçar a zona de segurança para proteger as comunidades do norte”. Netanyahu falou ainda num “esforço nacional massivo para desenvolver soluções criativas e inovadoras contra drones explosivos”, com cabos de fibra ótica que escapam à interferência eletrónica que Israel usava contra os drones sem fios, que estão a ser mais usados pelo Hezbollah. Além das operações no terreno, Israel intensificou também os bombardeamentos. Horas depois de emitirem ordens de evacuação das localidades de Mashghara e Sahmar, no vale de Bekaa, as IDF bombardearam a zona. Durante a noite, já tinha havido dezenas de ataques, que terão causado pelo menos 11 mortos, incluindo duas crianças, segundo as autoridades de saúde libanesas.Tudo isto em véspera de uma nova ronda de negociações entre Israel e o governo libanês, que estão a decorrer em Washington e que o Hezbollah rejeita. O próximo encontro está previsto para os dias 2 e 3 de junho. A 15 de maio, os dois lados aceitaram prolongar o cessar-fogo por 45 dias. .Netanyahu anuncia aumento da ofensiva no Líbano. "Não estamos a abrandar o ritmo. Pedi aceleração"