O chefe da equipa diplomática iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf
O chefe da equipa diplomática iraniana, Mohammad Bagher GhalibafEPA/IRANIAN PARLIAMENT SPEAKER’S OFFICE

Irão vê memorando de entendimento como sinal de derrota dos EUA

Presidente do Parlamento do Irão reiterou que o fim da guerra no Líbano é "tão importante" para Teerão como o fim da guerra no Irão
Publicado a
Atualizado a

O chefe da equipa diplomática iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse esta quarta-feira, 24 de junho, que o memorando de entendimento alcançado entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra é uma declaração de derrota para os Estados Unidos.

"O memorando de entendimento de Islamabade não é o resultado de pressão ou coação, mas sim da resistência e da determinação da corajosa nação iraniana", afirmou Ghalibaf numa conferência em Baku, no Azerbaijão, transmitida pela televisão iraniana.

"É por isso que o memorando de entendimento de Islamabade assumiu o valor de uma declaração de derrota para os Estados Unidos", disse Ghalibaf, chefe da equipa iraniana nas negociações com Washington e presidente do Parlamento.

Por outro lado, Ghalibaf acrescentou que a segurança no Médio Oriente deve agora ser garantida pelos países da região.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente do Parlamento do Irão reiterou que o fim da guerra no Líbano é "tão importante" para Teerão como o fim da guerra no Irão, referindo-se à campanha militar israelita.

Paralelamente, a diplomacia de Islamabade disse esta quarta-feira que as negociações técnicas entre os Estados Unidos e o Irão, mediadas pelo Paquistão, devem ser retomadas na próxima semana.

Presidente iraniano diz que, sem mísseis, o país acabaria "arrasado como Gaza"

O presidente iraniano Massoud Pezeshkian, por seu lado, afirmou na terça-feira que sem mísseis o Irão teria acabado "arrasado como Gaza" durante a guerra desencadeada por Israel e pelos Estados Unidos, reiterando que o programa balístico não era negociável.

"Se os mísseis de que dispomos para a nossa defesa não existissem, Israel e os Estados Unidos teriam arrasado o Irão como Gaza", declarou Massoud Pezeshkian durante uma visita ao Paquistão, mediador nas negociações entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

"Nunca iremos negociar com ninguém, em nenhuma circunstância, nunca, as nossas capacidades de defesa", insistiu o presidente iraniano.

O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, cujo país contribuiu para a assinatura do protocolo de acordo entre o Irão e os Estados Unidos, destacou que o texto "não faz absolutamente nenhuma referência a mísseis balísticos".

"Não pode haver dois pesos e duas medidas, ou seja, que alguns países possam possuir mísseis balísticos, enquanto o Irão não deverá ter. Não se pode aceitar esta duplicidade", acrescentou Sharif.

Durante a guerra, o Irão lançou centenas de mísseis e milhares de drones sobre Israel, os países do Golfo e as bases americanas no Médio Oriente como represália pelos ataques ao seu território.

Estes mísseis, inicialmente concebidos pelo Irão para compensar a fraqueza da sua frota aérea durante a guerra contra o Iraque (1980-1988), desde então que não pararam de ganhar em alcance e precisão.

Israel, a cerca de 1.500 quilómetros do Irão, vê há muito neste arsenal uma ameaça existencial por parte do seu inimigo.

Antes da guerra, os Estados Unidos tinham tentado impor o programa balístico como outro tema das negociações, juntamente com o nuclear e o apoio do Irão a grupos armados hostis a Israel.

O presidente americano Donald Trump pareceu recentemente mais aberto sobre a questão dos mísseis. "Eles [os iranianos] devem ter alguns porque outras pessoas têm. Devem ter alguns", admitiu Trump na semana passada na cimeira do G7 em França.

O chefe da equipa diplomática iraniana, Mohammad Bagher Ghalibaf
Irão contradiz Vance e Trump sobre as inspeções nucleares
Diário de Notícias
www.dn.pt