À proposta de paz de 15 pontos apresentada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, o Irão respondeu com as suas próprias cinco condições para terminar a guerra. Isto depois de considerar “excessivo e dissociado da realidade do fracasso dos EUA no campo de batalha” o plano que chegou de Washington, via os mediadores paquistaneses. “O Irão terminará a guerra quando decidir fazê-lo e quando as suas próprias condições forem cumpridas”, indicou um responsável iraniano, segundo os media estatais. O fim dos ataques contra o Irão e dos assassinatos dos seus líderes, garantias contra futuros conflitos (Teerão não quer voltar a estar debaixo de fogo daqui a seis meses), o pagamento de indemnizações de guerra, o fim dos combates em todas as frentes envolvendo grupos aliados (especialmente importante no caso do Hezbollah no Líbano) e o reconhecimento da autoridade do Irão sobre o Estreito de Ormuz. Estas são as cinco condições impostas pelo Irão.Os 15 pontos da proposta dos EUA não foram divulgados oficialmente, mas vários meios de comunicação mencionaram diferentes pormenores (a Casa Branca não confirmou nenhum deles). Trump, quando anunciou a existência de negociações, alegou que os iranianos já teriam aceitado vários pontos, incluindo abdicar dos 450 kg de urânio enriquecido que se suspeita que ainda têm. Segundo uma fonte do site Axios, o Irão também teria aceitado “inspeções e monitorização reforçadas da ONU nas suas instalações nucleares, limitar o alcance dos seus mísseis balísticos e reduzir o apoio a grupos aliados” - como o Hezbollah no Líbano ou o Hamas na Faixa de Gaza. Um dos pontos da proposta, segundo o canal 12 da televisão israelita, prevê o levantamento das sanções contra o Irão e a assistência dos EUA para projetos nucleares de caráter civil. Outro prevê que o estreito de Ormuz permaneça aberto como “zona marítima livre”.Apesar de EUA e Irão partirem de posições aparentemente irreconciliáveis, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, diz que as “negociações continuam” apesar do “triunfo militar retumbante” dos EUA. Mas não confirmou a possibilidade de um frente a frente entre as duas parte. Leavitt deixou ainda um aviso para que Teerão leve a sério Trump: “O presidente não faz bluff e está preparado para lançar o inferno. O Irão não deve errar novamente nos cálculos.” A caminho do Irão estão mais militares e o ultimato suspenso na segunda-feira acaba na sexta. “Grande Israel”.Apesar de o foco de atenção continuar centrado no Irão, a guerra ameaça mudar a face do Líbano. Depois de ter destruído várias pontes no rio Litani (que fica a cerca de 30 quilómetros da sua fronteira), Israel anunciou que pretende ocupar o sul do país para criar uma zona de segurança contra o Hezbollah. Na prática, significa ocupar à volta de 10% do território libanês. O líder do grupo xiita, Naim Qassem, denunciou os planos de criação de uma “Grande Israel”, que diz que se prolongaria desde o rio Eufrates (que nasce na Turquia e corre pela Síria e Iraque) até ao Nilo, no Egito. E rejeita a ideia de o governo libanês negociar com Israel, prometendo que o Hezbollah vai continuar a lutar “sem limites”. Os ataques israelitas já fizeram mais de mil mortos no Líbano, segundo as autoridades locais, e causaram mais de um milhão de deslocados.Qassem, que sucedeu em setembro de 2024 ao assassinado Hassan Nasrallah, defende que só há duas opções para os libaneses. “Rendermo-nos e abdicarmos da nossa terra, dignidade, soberania e do futuro das próximas gerações. Ou o inevitável confronto e resistência contra a ocupação para a impedir de atingir os seus objetivos”, referiu num comunicado, revelado ontem. E pediu “união nacional” para lutar contra o “inimigo”, alegando que “todos os outros assuntos podem ser discutidos depois”..Trump diz já ter vencido a guerra, mas continua a negociar com o Irão