Dois petroleiros no estreito de Ormuz (Arquivo)
Dois petroleiros no estreito de Ormuz (Arquivo)EPA/STRINGER

Irão ameaça Ucrânia com "consequências imprevisíveis” após ataque a navio

Zelensky disse que atingiram um navio de guerra russo e embarcações utilizadas para transportar carga militar ligada ao Irão. Para Teerão, que entretanto intercetou seis navios no Estreito de Ormuz, trata-se da admissão tácita de um ataque
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O Irão ameaçou esta segunda-feira, 27 de julho, a Ucrânia com "consequências imprevisíveis" do ataque ocorrido no fim de semana contra um dos seus navios no mar Cáspio, que foi atribuído a Kiev.

"Esta ação da Ucrânia foi um ato absolutamente ilegal e injustificado, contrário à Carta da ONU, bem como um ato de aventura perigoso que certamente não ficará sem resposta", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, numa conferência de imprensa, acrescentando que as consequências do ataque "serão certamente imprevisíveis".

O Governo do Irão afirmou no sábado que um marinheiro foi morto e outro ficou ferido na sequência de um ataque ucraniano a um dos seus navios mercantes no mar Cáspio.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, falou brevemente sobre os ataques no mar Cáspio, que, segundo o governante, atingiram um navio de guerra russo e embarcações utilizadas para transportar carga militar ligada ao Irão.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano referiu no sábado que a declaração de Zelensky representa uma admissão tácita de um ataque que "demonstra a persistência da atitude irracional e hostil do regime ucraniano em relação à República Islâmica do Irão".

"Ao atacar um navio mercante iraniano, o regime ucraniano não só violou o direito internacional, como também procura, de forma perigosa, semear a guerra e a insegurança", afirmou o ministério.

"Todas as partes preocupadas com a paz e a segurança na Europa de Leste e nas regiões adjacentes devem assumir uma postura responsável contra esta perigosa ação do regime ucraniano e responsabilizá-lo por este ato criminoso e provocador", acrescentou a diplomacia iraniana.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou ainda o encarregado de negócios da Ucrânia na capital iraniana, "a quem o Teerão transmitiu o seu forte protesto contra este ato hostil e criminoso".

Seis navios intercetados

Entretanto, as autoridades do Irão interceptaram esta segunda-feira seis navios que pretendiam atravessar uma rota "insegura" do Estreito de Ormuz, segundo meios de comunicação oficiais, num contexto de impasse com os Estados Unidos sobre uma solução para esta via marítima estratégica.

"Um deles sofreu um acidente e os restantes foram devolvidos ao Golfo Pérsico, graças à firme intervenção do Irão", declarou um responsável iraniano à agência noticiosa Fars.

Os navios terão desligado os sistemas de navegação e posicionamento para tentarem transitar por uma rota "ilegal e insegura" a sul do Estreito de Ormuz, segundo a fonte.

Este episódio ocorre na sequência da explosão, no domingo, de um petroleiro nesta via, ao colidir com uma mina marinha depois de se desviar da rota de navegação estabelecida pelo Irão, segundo informaram os meios de comunicação da República Islâmica.

A agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica, afirmou que o navio, que classificou como "petroleiro infrator", tinha abandonado o corredor de navegação aprovado por Teerão quando colidiu com a mina.

Segundo a Tasnim, o Irão tinha advertido repetidamente que os navios que abandonassem o itinerário estabelecido pelas autoridades sofreriam as consequências dessa eventual decisão.

Horas antes, a televisão estatal iraniana tinha informado que a Guarda da Revolução tinha disparado tiros de aviso contra seis navios nas últimas 24 horas, quando estes tentavam atravessar o Estreito de Ormuz.

As divergências entre o Irão e os Estados Unidos sobre as rotas que os navios que atravessam o estreito devem seguir tornaram-se um dos principais pontos de atrito entre ambos os países e conduziram ao recomeço das hostilidades na região.

A tensão no Estreito de Ormuz tem vindo a aumentar nas últimas semanas, com ataques iranianos contra navios comerciais depois de Omã ter aberto, no início de julho, uma rota alternativa de trânsito com o apoio dos Estados Unidos, ao que Washington respondeu com bombardeamentos sobre território iraniano.

Perante este cenário, a República Islâmica declarou, a 12 de julho, um novo bloqueio desta passagem marítima estratégica e os Estados Unidos restabeleceram, dois dias depois, o bloqueio naval sobre portos e navios iranianos na zona.

Esta segunda-feira, o Irão garantiu que ainda controla o Estreito de Ormuz e que não procura retomar as conversações de paz com os Estados Unidos, que interromperam os bombardeamentos, apos 13 noites consecutivas de ataques.

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