Irão ameaça suspender exportações de energia após novo bloqueio dos EUA
A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou esta quarta-feira, 15 de julho, suspender todas as exportações de energia do Médio Oriente após novo bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
“A exportação de petróleo e gás da região será ou para todos ou para ninguém”, declarou a força militar iraniana.
O exército norte-americano voltou a impor esta madrugada um bloqueio aos portos iranianos devido aos ataques de Teerão contra navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz, desencadeando novas ofensivas do Irão contra países que acolhem forças dos EUA, e numa altura em que o acordo interino para pôr fim à guerra se encontra perto do colapso.
O Comando Central dos EUA anunciou ter realizado uma nova vaga de ataques a várias áreas no Irão na terça-feira antes de restabelecer o bloqueio durante a madrugada, com sirenes de alerta de mísseis a soar no Bahrein e no Kuwait perante ataques iranianos.
O Ministério da Saúde iraniano confirmou esta quarta-feira que a mais recente vaga de ataques aéreos dos EUA durante a noite provocou mais de 260 feridos, número superior ao registado em qualquer outra ronda recente de violência entre os dois países.
O porta‑voz Hossein Kermanpour não forneceu dados sobre vítimas mortais, mas sublinhou que a ofensiva norte‑americana agravou a crise em torno do estreito de Ormuz, por onde em tempos de paz circulava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural.
Os EUA justificaram os ataques como resposta à “agressão injustificada” de Teerão, enquanto a Guarda Revolucionária reiterou que poderá bloquear totalmente as exportações energéticas da região.
Os EUA tinham imposto o bloqueio em meados de abril e levantado a medida em meados de junho, um dia após assinarem o acordo interino que previa 60 dias de negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano.
Mas as conversações estagnaram à medida que os combates pelo estreito se intensificaram.
O acordo provisório previa passagem gratuita pelo estreito durante 60 dias, mas deixou em aberto o futuro, com Teerão a afirmar ter direito a gerir o tráfego e cobrar taxas, posição contestada por Washington.
O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os 87 dólares (cerca de 74 euros) terça-feira, ainda abaixo dos quase 120 dólares (102 euros) registados no auge da guerra, mas caiu para 78 dólares (66 euros) após o anúncio de Trump.
Trump ameaça atacar centrais elétricas e pontes iranianas caso não seja alcançado um acordo
O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou na terça-feira atacar centrais elétricas e pontes iranianas na próxima semana, caso não seja alcançado um acordo com Teerão.
"A situação vai ser muito má para eles, porque na próxima semana serão as centrais elétricas. Na próxima semana serão as pontes", a não ser que os iranianos "se sentem à mesa das negociações", frisou o republicano na estação Fox News.
Questionado sobre a duração dos ataques norte-americanos, Donald Trump garantiu: "Vão continuar até que eu diga que já chega".
Trump frisou que não deseja negociar com o Irão neste momento, embora tenha revelado que representantes de ambos os países mantiveram conversações esta terça-feira e assegurado que Teerão continua a procurar um acordo com Washington.
Na entrevista, Trump afirmou ainda que os Estados Unidos poderiam voltar a atacar uma instalação nuclear iraniana, se considerassem necessário.
Comentando imagens de satélite que, segundo o entrevistador, mostravam obras em curso num destes complexos após bombardeamentos anteriores, o chefe de Estado norte-americano afirmou que o Irão tinha selado alguns pontos de acesso com betão, mas alertou que Washington poderia causar "danos enormes" no local "em questão de minutos".

