O partido de centro-direita Demokraatit, que estava na oposição e que representa o independentismo moderado, venceu as legislativas na Gronelândia com 29,9% dos votos. Uma vitória que foi uma surpresa, uma vez que este partido, que representa o independentismo moderado, triplicou os votos e passou do quarto para o primeiro lugar.Na única sondagem realizada, há cerca de um mês e com 30% de indecisos, colocava o Demokraatit em terceiro lugar, com quase 19%."Queremos chegar a toda a gente. Este é um momento em que temos de estar juntos. Da parte do Demokraatit, estamos abertos a falar com todos os partidos e a procurar a unidade, especialmente com o que está a acontecer no estrangeiro", disse o líder do Demokraatit, Jens-Frederik Nielsen, à emissora pública gronelandesa KNR.Nielsen, que durante a campanha eleitoral criticou a "falta de respeito" de Trump pela Gronelândia, defendeu, após o anúncio do resultado, uma postura tranquila em relação aos EUA e a "construção de uma base" antes de falar sobre a criação de um Estado independente.É a primeira vez desde que a Gronelândia adotou o estatuto de autonomia, em 1979, que o vencedor das eleições não é nem o Siumut nem o IA, as duas únicas forças políticas que lideraram governos até agora. Os dois partidos do Governo de esquerda, no poder nos últimos três anos, e também independentistas moderados, sofreram uma queda, numas eleições marcadas pelo interesse do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em adquirir a ilha ártica.O Naleraq, que defende a rápida separação da Dinamarca, ficou em segundo lugar com 24,5%. O socialista Inuit Ataaqatigit (IA) do presidente regional, Múte B.Egede, ficou em terceiro lugar com 21,4%, 15 pontos a menos do que nas eleições de 2021. O parceiro de coligação, o social-democrata Siumut, histórico dominador da política gronelandesa, obteve 14,7%, metade do valor de há quatro anos.O liberal Atassut, moderado em relação à independência, subiu quatro décimas, para 7,3%, enquanto o Qulleq, com uma linha semelhante ao Naleraq, ficou de fora do parlamento, com 1,1%. O Naleraq, que esteve à frente da contagem provisória até meio das eleições, também se saiu bem, duplicando o apoio.*com Lusa.Gronelândia vai a votos entre o interesse de Trump e o desejo de independência