Empresários norte-americanos dos sectores da construção civil e da agricultura estão apreensivos com os efeitos na economia da política de repressão à imigração de Donald Trump. A falta de mão de obra está a impedir o crescimento e também a colocar em causa a concretização de promessas do Presidente dos EUA, disseram vários industriais à CNN Internacional. A decisão de acabar com as proteções de deportação para 1,3 milhões de trabalhadores estrangeiros nos EUA e o aperto à imigração estão a agravar uma questão já complexa no país, a escassez de mão de obra, frisaram.Os industriais, que habitualmente apoiam as políticas de Trump, já expressaram inclusive as suas preocupações aos departamentos de Segurança Interna, Trabalho e Agricultura, e também à Casa Branca. Foi criado um lobby para negociar com o governo de Trump.Donald Trump prometeu reduzir os preços das casas e, para isso, aumentar a construção de habitação. Mas as construtoras não têm conseguido dar resposta a essa promessa devido às políticas de imigração e já o disseram ao governo norte-americano.Segundo afirmou à CNN Jim Tobin, presidente e CEO National Association of Home Builders (em português, Associação Nacional de Construtores de Casas), o setor tem um défice de 200.000 a 400.000 trabalhadores, depois de décadas de subinvestimento em profissões técnicas e especializadas e da aposentação de trabalhadores mais velhos que não foram substituídos por americanos mais jovens. Os estrangeiros têm preenchido essa falta. Dados da associação, dão nota que, em 2024, os trabalhadores estrangeiros representavam mais de um quarto da força de trabalho da construção civil.O problema da falta aguda de trabalhadores estende-se à agricultura e, com especial foco, à atividade dos lacticínios. Alguns republicanos já expressaram a sua preocupação à Casa Branca com o programa de vistos para trabalhadores agrícolas temporários. A CNN diz que Trump já reconheceu os desafios no setor agrícola.Trey Forsyth, vice-presidente da Federação Nacional de Produtores de Leite dos EUA, resumiu: “O maior problema com a produção leiteira, e o que a torna única, é que as vacas precisam ser ordenhadas 365 dias por ano, em vários turnos ao longo do dia… Se os trabalhadores desaparecessem, essas vacas ainda precisariam de ser ordenhadas. É preciso garantir o escoamento do leite. Há preocupações com os animais e também preocupações económicas”. E concluiu: “Isto afeta o acesso aos produtos lácteos, e o custo propaga-se por toda a cadeia até chegar aos consumidores”.Recentemente, a fiscalização da imigração intensificou-se em pessoas que detêm estatuto de proteção temporária (TPS), que permite aos beneficiários viver e trabalhar legalmente nos Estados Unidos. Segundo a CNN, essa ação recaí sobre haitianos, por exemplo, que tendem trabalhar na indústria e no cuidados a idosos, e salvadorenhos, habitualmente trabalhadores da construção civil. "A pressão em torno do TPS tem sido muito grande”, afirmou Jennie Murray, presidente e CEO do National Immigration Forum. “É realmente preocupante para os negócios e para a economia”, disse ainda.Entretanto, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, foi criticado por elementos próximos de Trump, que o acusaram de tolerância em relação à imigração. Segundo a estação de televisão norte-americana, Mullin afirmou, na semana passada, na Associação Nacional de Governadores, que “uma força de trabalho ilegal só fomenta a atividade ilegal. Não impulsiona a economia a longo prazo. É uma solução de curto prazo, mas acarretará problemas a longo prazo”.Mas também defendeu alterações nos programas de vistos de trabalho para responder à escassez de mão de obra, o que gerou reações negativas de vozes influentes do movimento MAGA. Laura Loomer, aliada da extrema-direita de Trump, escreveu na rede social X: "Estou farta de Markwayne Mullin".Mullin deu um passo atrás e, também na rede X, escreveu: “Nenhuma amnistia para imigrantes ilegais. Nunca. Somos uma nação de leis. Se está ilegal nos Estados Unidos da América, será detido e deportado. Ponto final.”.Incentivo fiscal à habitação beneficiou mais de 200 empresas e 8900 trabalhadores.Sem oferta pública, pacote fiscal não resolve problema estrutural da habitação