A coligação União Democrata-Cristã (CDU) e da União Social-Cristã (CSU) reiterou a vigência do “cordão sanitário” face à extrema-direita, que exclui coligações do partido do chanceler Friedrich Merz com a Alternativa para a Alemanha (AfD).O porta-voz da coligação, Torsten Frei, líder do grupo parlamentar conjunto da CDU e CSU, expressou-se nesse sentido em declarações aos meios de comunicação do grupo Funke, tendo em vista as três eleições regionais de setembro, na Saxónia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, nas quais a AfD obtém bons resultados nas sondagens de intenção de voto.“A direção federal do partido normalmente não interfere na formação dos governos regionais, mas esta é uma questão que diz respeito à totalidade do partido. A proibição de cooperar com a AfD é uma decisão fundamental da CDU e não se pode responder de forma diferente consoante o estado federado”, afirmou Frei.Frei deu esta resposta quando questionado sobre se a CDU manterá os seus princípios na Saxónia-Anhalt após as eleições de 06 de setembro, nas quais tudo indica que a AfD obterá cerca de 40% dos votos.Atualmente, a Saxónia-Anhalt é governada por uma coligação liderada pelo democrata-cristão Sven Schulze e que integra também o Partido Social-Democrata (SPD) e o Partido Liberal (FDP).Segundo a última sondagem para a Saxónia-Anhalt, realizada pelo instituto Infratest, a AfD obterá 41%, a CDU 24%, A Esquerda 13%, o SPD 7% e Os Verdes 5%. Os restantes partidos ficariam fora do parlamento por não atingirem o limiar de 5%.Esta configuração criaria um problema para a CDU, uma vez que, para obter uma maioria sem a AfD, teria de procurar algum tipo de cooperação com A Esquerda, algo que, tal como as alianças com a extrema-direita, também está excluído por uma resolução aprovada num congresso do partido.A possibilidade de o SPD e Os Verdes acabarem por ficar abaixo dos 5% representa um risco adicional, que poderia acabar por dar à AfD uma maioria absoluta dos lugares.Tendo em vista as eleições no Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim, que se realizam a 20 de setembro, é, em princípio, menos provável que a CDU tenha de se confrontar com o problema de cooperar ou não com a AfD ou com A Esquerda, uma vez que tudo indica que ficará fora dos governos regionais.No Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o atual Governo é uma coligação entre o SPD e A Esquerda, liderada pela social-democrata Manuela Schwesig.Embora as sondagens para as eleições nesse estado do nordeste alemão também coloquem a AfD como partido mais votado, com 36%, segundo um estudo da Infratest, o SPD, com 29%, e A Esquerda, com 12%, superam, juntos, a extrema-direita.Se Os Verdes, que atualmente têm 5%, entrarem no parlamento, abrir-se-ia a possibilidade de uma coligação tripartida com maioria suficiente. No Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU tem 9%, o que a tornaria decisiva apenas se Os Verdes ficassem de fora.Em Berlim, governa atualmente uma coligação entre a CDU e o SPD, e as sondagens colocam A Esquerda à frente nas eleições de 20 de setembro.Segundo a última sondagem da Civey, A Esquerda alcançaria 20,3%, seguida pela CDU, com 18,9%, pela AfD, com 17,9%, pelos Verdes, com 16,7%, e pelo SPD, com 12,3%.Se se verificasse o resultado previsto por essa sondagem, a configuração mais provável seria uma coligação tripartida entre A Esquerda, Os Verdes e o SPD..Extrema-direita alemã dispara nas sondagens.CDU de Merz entra em ano de eleições regionais com derrota