Keir Starmer afirmou esta quinta-feira, 12 de março, ter “cometido um erro” ao nomear Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos numa altura em que já eram conhecidas as suas ligações a Jeffrey Epstein, tendo acabado por o afastar do cargo em setembro passado. “Fui eu que cometi um erro, e sou eu que peço desculpa às vítimas de Epstein, e assim o farei”, afirmou o primeiro-ministro britânico nas primeiras declarações que fez sobre este tema depois do seu governo ter divulgado na quarta-feira 147 páginas de documentos relacionadas com a nomeação do antigo trabalhista para Washington.De acordo ainda com Starmer, citado pelo Guardian, os documentos “mostram o que se sabia” sobre a relação entre Mandelson e o criminoso sexual norte-americano na altura da sua nomeação, e que isso “levou a que mais questões fossem colocadas”, acrescentando que esta troca de mensagens ainda não pode ser divulgada por causa de uma investigação da Polícia Metropolitana.Um dos documentos agora revelados é um relatório de due diligence elaborado pelo gabinete do governo em dezembro de 2024 sobre a nomeação de Peter Mandelson e que concluiu que existia um “risco reputacional geral” devido à sua relação com Jeffrey Epstein, com base em várias informações que detalhavam as suas ligações ao norte-americano. O arquivo divulgado por Downing Street mostrou ainda que Jonathan Powell, conselheiro de segurança nacional de Keir Starmer, disse que considerou a nomeação de Mandelson “estranhamente apressada”.A líder dos conservadores, Kemi Badenoch, afirmou esta quinta-feira que faltavam detalhes importantes nos documentos governamentais divulgados no dia anterior sobre Mandelson. “Fui ministra e secretária de Estado, e faltam os comentários que Keir Starmer teria incluído nas notas explicativas, aquelas notas de apresentação onde se explica o que se pretende que aconteça. Foram removidos. Precisamos de todos os detalhes do que o primeiro-ministro fez. Há ainda uma tentativa de encobrimento em curso”. Falando na quarta-feira no parlamento, o secretário-chefe do primeiro-ministro, Darren Jones, havia explicado que existem outros documentos que o governo deseja divulgar, mas a Polícia Metropolitana solicitou que tal não seja feito para já, por causa da investigação criminal em curso contra Mandelson, que esteve detido durante algumas horas em fevereiro por suspeita de má conduta em cargo público. Mesmo assim, acrescentou Jones, serão divulgados mais documentos em breve.Esta quinta-feira, e em resposta às acusações de Badenoch, um porta-voz de Keir Starmer disse refutar “a sugestão de encobrimento. O governo cumpriu integralmente os requisitos. Simplesmente não aceito que isso tenha acontecido”. “Há diversas formas pelas quais a equipa sénior do primeiro-ministro responde às recomendações. O primeiro-ministro leu as recomendações, mas há claramente lições a tirar sobre os processos de nomeação em geral e sobre os processos que os antecederam”, acrescentou a mesma fonte. .Starmer foi avisado do “risco reputacional” da nomeação de Mandelson por causa de Epstein.Bruxelas pede investigação à atuação de Mandelson como comissário