O presidente do comité organizador do Foro La Toja, Carlos López Blanco, e o presidente da Fundação La Toja e do Grupo Hotusa, Amancio López, na apresentação do evento.
O presidente do comité organizador do Foro La Toja, Carlos López Blanco, e o presidente da Fundação La Toja e do Grupo Hotusa, Amancio López, na apresentação do evento.Reinaldo Rodrigues

Foro La Toja regressa a Lisboa como "referente da defesa de valores e princípios cada vez mais questionados"

Fundação Calouste Gulbenkian acolhe a quarta edição do evento, no próximo dia 29 de abril.
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A relação atlântica e o futuro da Europa são os grandes temas do Foro La Toja, uma iniciativa do Grupo Hotusa do empresário espanhol Amancio López, que regressa a Lisboa pelo quarto ano consecutivo. O evento vai reunir uma série de figuras políticas nacionais e internacionais na Fundação Calouste Gulbenkian, no próximo dia 29 de abril.

"A nossa intenção é converter este fórum num autêntico referente na defesa de uma série de valores e de princípios que cada vez são mais questionados", disse López na apresentação do evento, esta quarta-feira (8 de abril), num dos seus hotéis de Lisboa.

A iniciativa nasceu em 2019, na ilha galega de A Toxa, para defender os valores do vínculo atlântico e do Ocidente, da democracia liberal e representativa, da economia social de mercado, a divisão de poderes e os direitos humanos, lembrou o empresário.

"Tudo aquilo que se construiu depois da II Guerra Mundial e que parecia que, com a queda do muro de Berlim, podia ser definitivo. Contudo, nessa época, começavam já a ser questionadas", referiu.

A situação só piorou. "Pensávamos que a democracia não se defendia por si mesma, que precisávamos de fazê-lo de forma ativa, mas provavelmente não tínhamos consciência de que os medos que tínhamos se iam confirmar tão rapidamente para chegar à situação de agora", acrescentou, defendendo que apesar disso ainda há espaço para estes debates da sociedade civil.

"Temos uma visão a longo prazo e acho que a história vai e volta e temos que pensar no depois. E temos que defender o que defendemos sempre", indicou López. "É preciso continuar, apesar das circunstâncias, das desordens e tudo o que está a acontecer e que esperemos que passe. O que não podemos fazer é aceitar ou rendermo-nos", insistiu.

"Quando começámos estes debates sabíamos o que defendíamos e víamos que começavam a aparecer autoritarismos de todo o tipo, alguns mais ideológicos, outros nacionalistas, mas populistas de todo o tipo. Mas talvez nunca tivéssemos pensado que podíamos chegar a esta situação que temos agora. Em todo o caso, acho que justifica mais do que nunca uma sociedade civil mais pró-ativa", concluiu.

O presidente do Comité Organizador do Foro La Toja, Carlos López Blanco, falou da agenda da quarta edição do evento em Lisboa. Este ano tem "características muito especiais", já que sendo um fórum "que se proclama defensor do vínculo atlântico", chega numa "conjuntura crítica desde o ponto de vista da geopolítica e da economia mundial", onde os valores e princípios que governaram o mundo desde o final da II Guerra Mundial "estão questionados desde fora do mundo Ocidental, como sempre estiveram, mas hoje também desde dentro e, para mais, de uma maneira radical".

A guerra no Médio Oriente, as tarifas económicas e a imprevisibilidade do que a Administração de Donald Trump pode fazer torna a defesa do vínculo atlântico mais complicada. "Não é fácil, mas continuamos a defendê-lo, porque acreditamos que o vínculo entre Europa e EUA e também a América Latina é um elemento essencial não apenas para a estabilidade mundial, mas também desde o ponto de vista dos valores e princípios do Estado de Direito e da democracia representativa", defendeu. E que "a autonomia estratégica da Europa não é nem deve ser incompatível".

O presidente do comité organizador do Foro La Toja, Carlos López Blanco, e o presidente da Fundação La Toja e do Grupo Hotusa, Amancio López, na apresentação do evento.
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Agenda

O foro aborda dois dos desafios mais importantes do ponto de vista global, começando na questão da segurança europeia no marco da relação atlântica e culminando na configuração da nova ordem europeia e global.

O ex-presidente da Assembleia da República e chefe da diplomacia Augusto Santos Silva discutirá o primeiro tema com Peter Rough, diretor do Cento para a Europa e Eurásia do Instituto Hudson e Javier Colomina, representante especial da NATO para o Flanco Sul.

Para discutir o segundo tema estarão em Lisboa o canadiano Michael Ignatieff, "que continua a ser um dos grandes intelectuais mundiais de referência" e o historiador Shlomo Ben Ami, ex-chefe da diplomacia de Israel e "grande conhecedor da realidade do Médio Oriente". O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, "a quem mais uma vez pedimos que esqueça os temas municipais e fale das coisas que sabemos que lhe interessam" é outro dos intervenientes do painel.

A nível institucional o foro conta ainda com a intervenção do ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e com a ministra da Defesa de Espanha, Margarita Robles. O ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy e o ex-vice-primeiro-ministro português Paulo Portas vão discutir "os desafios políticos da Europa". Há ainda espaço para um painel dedicado aos temas económicos e do mercado único, com o ex-governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, e o antigo ministro da Economia espanhol, Román Escolano.

O fórum termina com a participação do Presidente da República, António José Seguro, que poderá ter nesta ocasião a oportunidade para uma primeira intervenção sobre política internacional.

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Fórum La Toja debate o vínculo transatlântico: "Era difícil estar pior"

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