Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, falou em necessidade de manter "vantagem tática".
Secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, falou em necessidade de manter "vantagem tática".EPA/OLIVIER HOSLET

Forças armadas norte-americanas vão começar a testar níveis de testosterona às tropas

Medida será obrigatória para maiores de 30 anos e voluntária para quem tem menos. Pentágono não esclarece se medida se aplica a homens e a mulheres.
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As forças armadas dos Estados Unidos vão começar a testar os níveis de testosterona das tropas com 30 ou mais anos, anunciou o secretário da Defesa, Pete Hegseth, num vídeo publicado na rede social X.

Na sua conta, Hegseth partilhou uma mensagem na qual defendeu que, apesar dos investimentos em armamento, a "vantagem tática decisiva será sempre a do soldado individual" e apontou a testosterona, cujos níveis descem com a idade, como uma questão de "saúde" das tropas.

Para manter essa "vantagem" com o envelhecimento, o secretário da Defesa iria autorizar um programa para testar obrigatoriamente os níveis de testosterona de quem tem 30 ou mais anos, sem especificar se só os homens é que serão testados. Quem tem menos de 30 anos, também poderá pedir um teste de forma voluntária, acrescentou.

Caso os resultados não sejam os recomendados, Hegseth disse que as tropas poderão ter acesso a terapia de substituição hormonal para "garantir que tenham os níveis adequados de testosterona para atuarem no seu melhor". Apesar disso, frisa que esta terapia é "totalmente uma escolha".

Questionado pela BBC sobre se os testes seriam para homens e mulheres e se haverá exames para terapias hormonais de estrogénio para quem está a entrar na perimenopausa, fase que antecede a menopausa e marcada pela descida dos níveis das hormonas, o Pentágono decidiu não fazer qualquer comentário adicional.

Esta medida levantou críticas de vários representantes do Partido Democrata, que apontaram a incongruência de abrir a porta a terapia hormonal nestes casos e, ao mesmo tempo, proibiu as pessoas transgénero, que dependem deste tipo de terapia hormonal de substituição, de servirem nas forças armadas dos EUA.

Hegseth tem também expressado crenças de que as mulheres não deviam estar na fila da frente nos combates militares e defende que esses papéis de combate se devem reger pelos "padrões mais altos masculinos".

A senadora do estado do Illinois, Tammy Duckworth, citou o vídeo de Hegseth no X e comentou: "Parecem-me cuidados de afirmação de género".

A organização não-governamental Centro Nacional para os Direitos LGBTQ criticou também esta medida, acusando o secretário da Defesa de ter dois pesos e duas medidas.

"A recomendação do Sr. Hegseth de que os militares do sexo masculino tomem testosterona deixa bem claro que a política que proíbe os militares transgénero de tomarem o mesmo medicamento é puro preconceito", afirmou Shannon Minter, diretora jurídica do centro, ao New York Times, sublinhando que esta decisão mostra a "irracionalidade da proibição".

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