Flávio Bolsonaro está agora a seis pontos percentuais de distância de Lula da Silva numa eventual segunda volta entre ambos nas eleições brasileiras de outubro, segundo sondagem do instituto Quaest, divulgada nesta quarta-feira, dia 10 de junho. Há um mês, o candidato de centro-esquerda estava tecnicamente empatado com o adversário de extrema-direita mas numericamente à frente por um ponto. Em abril era o filho de Bolsonaro quem liderava, dois pontos acima do atual presidente. Lula, do Partido dos Trabalhadores, tinha 40% em abril, 42% em maio e agora soma 44%. Flávio, do Partido Liberal, marcava 42 pontos, depois 41, tem neste momento 38. Os telefonemas revelados entre Flávio e Daniel Vorcaro, banqueiro preso por escândalo multimilionário de corrupção e nome cada vez mais tóxico no país, é visto como a principal justificação, até porque a anterior sondagem ocorreu às vésperas do caso. A grande maioria dos ouvidos na sondagem, 65%, defende que o senador errou ao pedir cerca de 10,2 milhões de euros ao banqueiro para financiar a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, sobretudo depois de ter negado conhecê-lo. Para 58%, Flávio pode estar a esconder mais envolvimentos com o Banco Master, instituição fundada por Vorcaro acusada de fraudar meio país.Em paralelo, a reunião solicitada pelo filho de Bolsonaro a Donald Trump na Casa Branca para afastar o escândalo com Vorcaro do noticiário, também não correu bem ao senador: 47% concordam com Lula de que as novas tarifas contra o Brasil anunciadas por Washington foram influenciadas por Flávio enquanto só 36% acreditam que a medida seria retaliação a críticas do presidente brasileiro ao homólogo americano. Na reunião, o candidato do Partido Liberal convenceu ainda os Estados Unidos a considerarem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que permite às forças armadas americanas intervir no Brasil, às autoridades de Washington bloquearem movimentos bancários no país e ainda dificultaria o diálogo entre as polícias dos dois países. Para 60% dos 2004 ouvidos pela Quaest, a tarefa de combater o crime deveria ser uma prerrogativa do Brasil.De acordo com Felipe Nunes, diretor do instituto, a diferença entre Lula e Flávio deve-se sobretudo “aos que se declaram independentes”, e que correspondem a um terço do eleitorado. “Entre eles, Lula passou de 29 para 37% e Flávio Bolsonaro caiu de 31 para 24%, outros 30% afirmam que não votariam nem num, nem noutro numa eventual segunda volta”.Porém, a queda de Flávio não se traduziu em subida dos outros candidatos de direita. Nessa eventual segunda volta, Lula venceria Renan Santos por 45 a 31%, o que representa um crescimento de três pontos do candidato do ultraliberal Missão face a maio. Romeu Zema perderia por 45 a 35%, o que significa que o atual presidente sobe um ponto e o indicado pelo liberal Novo desce dois. Já num cenário entre Lula e Ronaldo Caiado regista-se exatamente o mesmo resultado, 45 a 35%, mas sem o candidato do PSD oscilar.Na primeira volta, Lula soma 39%, Flávio, 29%, Renan Santos e Ronaldo Caiado 3%, Romeu Zema, 2%, o centrista Augusto Cury, do Avante, e a esquerdista Samara Martins, da União Popular, 1%. A Quaest testou ainda Aécio Neves, cuja candidatura pelo PSDB, de centro-direita, não está confirmada, e Joaquim Barbosa, do Democracia Cristã, de direita, que também ainda não está oficialmente na corrida: Aécio obteve dois pontos e Barbosa, um.A partir de 20 de julho, os partidos começam a realizar as convenções que vão confirmar os candidatos, hoje considerados oficialmente apenas “pré-candidatos” pela justiça eleitoral, a 16 de agosto começa a campanha eleitoral formal, a 4 de outubro os brasileiros votam pela primeira vez e a 25 do mesmo mês pela segunda, caso nenhum concorrente passe dos 50% na primeira volta. .Se Flávio for eleito, a família Bolsonaro pode fazer história