Flávio Bolsonaro viajou da Argentina para o Equador num voo privado
Flávio Bolsonaro partiu na noite de terça-feira, 27 de outubro, da Argentina rumo ao Equador, três dias depois de ter sido derrotado na segunda ronda da eleição presidencial do vizinho Brasil, confirmou o Governo de Buenos Aires. O destino final será Miami, segundo a imorensa brasileira.
O senador conservador atravessou com a família a fronteira terrestre com a Argentina, na província de Misiones (nordeste), "munido de documentos de viagem em dia, sem qualquer impedimento legal", disse a Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Flávio Bolsonaro atravessou às 22:50 de terça-feira (01:50 de hoje em Lisboa) o posto fronteiriço da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a cidade brasileira de Foz do Iguaçu à cidade argentina de Puerto Iguazú, acompanhado pela mulher e as duas filhas.
Quarenta minutos mais tarde, Flávio Bolsonaro embarcou num "voo privado fretado pela empresa Baires Fly S.A. com destino à cidade de Guayaquil, no Equador", acrescentou a mesma fonte, num comunicado publicado na rede social X.
A aeronave descolou pouco depois de Puerto Iguazú, confirmou o portal especializado FlightRadar, tendo aterrado em Guaiaquil às 05h46, (8:46 de Lisboa). O portal G1 indica que o destino final é o aeroporto Opa-locka Executive, em Miami.
Horas antes, o Ministério da Segurança da Argentina tinha negado que o filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2023) tivesse entrado no país.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.
A decisão de Moraes consta de um processo em que Flávio e um amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal, num suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
O senador da extrema-direita brasileira é ainda alvo de uma investigação do STF sobre o financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do pai, que se encontra detido por tentativa fracassada de golpe de Estado.
Na segunda-feira, um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que garantiu que nunca deixaria o Brasil, e que entregaria os passaportes às autoridades policiais, incluindo um passaporte diplomático e um de cidadão italiano.
Na terça-feira, um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano afirmou, sob condição de anonimato, que Flávio Bolsonaro e a família receberão vistos para os Estados Unidos, informação que a comunicação social brasileira já tinha confirmado.
"O Departamento de Estado irá emitir vistos a Flávio Bolsonaro e à sua família e permitir-lhes a entrada nos Estados Unidos", afirmou o responsável, citado pela agência de notícias Associated Press.
O presidente norte-americano Donald Trump, que deu apoio expresso a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, também foi interrogado e garantiu que concederia vistos ao senador brasileiro e à sua família.
"Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles", afirmou Trump aos jornalistas.
A possibilidade de Flávio sair do Brasil caso perdesse as eleições já tinha sido anunciada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, atualmente foragido da Justiça brasileira, e a residir nos Estados Unidos desde 2025.

