Em maio passado, o petroleiro M/T Celestial Sea, com bandeira iraniana, viu a sua viagem interrompida para um porto do Irão devido à intervenção militar dos EUA.
Em maio passado, o petroleiro M/T Celestial Sea, com bandeira iraniana, viu a sua viagem interrompida para um porto do Irão devido à intervenção militar dos EUA.Corpo de Fuzileiros dos EUA

Fluxo de petróleo no estreito de Ormuz recupera e atinge 77% do nível anterior à guerra

Dados apontam para um aumento da passagem de petroleiros durante o mês de setembro e ainda mais acentuado na última semana.
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O fluxo de petróleo através do estreito de Ormuz registou uma média diária de 13,2 milhões de barris na última semana, segundo a empresa de dedicada ao tráfego marítimo Kpler, citada pela Al Jazeera. Este número equivale a 77% do fluxo que se registava naquela via antes do início da guerra dos Estados Unidos com o Irão. A média do mês, ainda que não seja final, aponta para 10 milhões de barris por dia.

De acordo com a mesma fonte, os fluxos diários de petróleo variaram bastante entre os dias 24 e 27, tendo oscilado entre cerca de 6,5 milhões e 12,6 milhões de barris. Mas nota que os dados relativos aos dias mais recentes são preliminares e poderão aumentar à medida que mais embarques sejam confirmados.

Além dos números referentes à passagem por Ormuz, a Kpler informa ainda que no mês de setembro 6 milhões de barris de crude saíram por dia dos países do Golfo Pérsico através de oleodutos e portos que contornam o estreito. Ou seja, segundo a Kpler, saiu um total de 16 milhões de barris por dia, em média. Antes da guerra, um total diário de 19 milhões de barris saíam pelo estreito e por outras vias.

Mas os números apresentados pela Kpler não coincidem com os de outras empresas do setor, as quais apresentam números mais baixos. Por exemplo, a TankerTrackers calcula que 7,4 milhões de barris de crude por dia passaram pelo estreito este mês. Ao New York Times, Daniel Sternoff, investigador no Centro de Política Global de Energia da Universidade de Columbia, alertou para não se confiar nos dados de uma única empresa, embora no caso haja uma unanimidade em relação "ao aumento dos fluxos em relação a setembro".

Citado também pelo jornal nova-iorquino, Matt Smith, diretor de investigação de matérias-primas da Kpler, realçou que as exportações de crude do Golfo atingiram cerca de 85% do nível anterior à guerra. Mas para a situação normalizar não são apenas os fluxos de petróleo a aumentar, mas também a própria produção. “Isto não pode ocorrer por completo até que o risco de segurança ao atravessar o estreito seja completamente eliminado”, considerou.

Há semanas que a administração Trump e os próprios militares alegam que o fluxo de petróleo está a aumentar no estreito de Ormuz. O chefe do Comando Central, almirante Brad Cooper, disse há dias que "mil milhões de barris de petróleo saíram através daquela via navegável "nos últimos meses".

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