Yair Netanyahu na capital dos EUA.
Yair Netanyahu na capital dos EUA.Facebook de Yair Netanyahu

Filhos de Netanyahu e de Trump alvos do Irão

Yair Netanyahu teve de deixar Miami e regressar à pressa para Israel. Barron Trump é protagonista de um vídeo iraniano no qual se oferece uma recompensa pela sua morte.
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Um dia depois de o primeiro-ministro israelita ter dito que um dos seus filhos foi o alvo de uma tentativa de assassínio por parte do Irão, sem o identificar, uma fonte policial norte-americana fê-lo. É Yair, de 35 anos, filho mais velho de Benjamin Netanyahu. Ao canal de TV Newsmax, a fonte disse que, em dezembro último, os serviços de informações israelitas informaram as autoridades dos Estados Unidos de que Yair era o alvo de um plano iraniano, tendo este sido de imediato transportado de volta para Israel. O regresso ao país de origem foi de tal forma apressada que nem terá levado os seus pertences.

A mesma fonte afirmou que se acreditava que agentes iranianos estavam "no terreno" na área de Miami e tinham realizado vigilância à residência e aos movimentos do ativista de extrema-direita. Yair Netanyahu mudou-se em março de 2023 para Hallandale Beach.

Quando o tabloide britânico Daily Mail informou sobre o apartamento luxuoso em que Yair estava alojado, em fevereiro de 2024, não faltou quem tenha lembrado que milhares de reservistas tinham sido chamados para a guerra que se desenrolava em Gaza, enquanto o filho de um soldado de elite se mantinha longe da guerra, em aparente contradição com o conteúdo das suas publicações nas redes sociais. Yair é um comentador e podcaster defensor das políticas do seu pai e com um historial de controvérsias online, desde ter republicado um meme antissemita que agradou ao líder do Ku Klux Klan a ter concordado com uma publicação nas redes sociais que acusava o então chefe das forças armadas, Herzi Halevi, de saber de forma antecipada do ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023 e não ter informado o primeiro-ministro.

Se a sua estada não passou despercebida para a opinião pública, menos ficou depois de saber que a fatura mensal da segurança permanente ascendia a 55 mil dólares (47 mil euros ao câmbio atual), e isto antes de Netanyahu ter pedido o reforço da mesma, em agosto de 2024.

Na terça-feira, em entrevista telefónica ao Canal 14, Netanyahu justificava as medidas de proteção para com a sua família. "Há algo aqui inacreditável. O Irão tinha um dos meus filhos como alvo. O Irão tentou matar, assassinar um dos meus filhos”, afirmou. "É por isso que esta proteção de segurança não é um luxo. Sem ela, eles poderiam ser bem-sucedidos."

Em julho, a proteção dos serviços secretos (Shin Bet) para a mulher de Netanyahu, Sara, e para os filhos Yair e Avner foi prolongada por mais cinco anos, independentemente de manter-se no cargo de primeiro-ministro. As eleições legislativas estão marcadas para 27 de outubro e o partido de Netanyahu, Likud, aparece em segundo lugar na maioria das sondagens.

Segundo o Canal 12 israelita, citado pela Newsmax, a comunicação social israelita já estava a par da notícia, mas a censura militar tinha impedido a publicação da mesma.

A divulgação desta ameaça dá-se um dia depois de o Serviço Secreto norte-americano, a agência que protege o presidente, outros altos cargos e familiares, ter confirmado estar a par do vídeo intitulado "Onde matar Barron Trump". Um vídeo divulgado pela comunicação social iraniana e no qual se mostra um homem semelhante ao filho mais novo do presidente dos EUA e no qual sugere locais onde pode ser encontrado. Também alega haver uma recompensa de 10 milhões de dólares pela sua morte.

Há um mês, foi publicado um vídeo semelhante no qual a protagonista era a mulher de Donald Trump, Melania. No final, dizia: "Isto é só o começo. Barron Trump, aguarda-nos."

A semana do funeral de Estado de Ali Khamenei, entre 3 e 9 de julho — o guia supremo foi morto em 28 de fevereiro — foi transformada num evento de reforço do regime e de tentativa de união do país, mas também para passar a mensagem de que a sua morte seria vingada. Não faltaram cartazes a apelar para a morte de Trump. Nessa altura, no final da cimeira da NATO, em Ancara, o presidente dos EUA não regressou no avião presidencial devido a uma ameaça comunicada pelos serviços secretos israelitas. Um mês depois, o Washington Post contou que Trump embarcou no Air Force One para, minutos depois, ser transferido para outra aeronave através de um camião de catering do aeroporto. O Air Force One seguiu com alguns funcionários e jornalistas.

Na sequência do assassínio do líder da Força Quds, Qassem Soleimani, no final do primeiro mandato de Trump, antigos membros da administração Trump como Mike Pompeo ou John Bolton fosse alvo de ameaças. Mas também o próprio Trump. Por exemplo, em março, um júri condenou o paquistanês Assif Merchant que, enquanto agente iraniano, tentou contratar os serviços de um assassino para matar Trump e outros políticos.

Yair Netanyahu na capital dos EUA.
Serviço Secreto dos EUA investiga vídeo iraniano que ameaça Barron Trump
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