O filho do xá diz estar pronto para liderar uma transição democrática do país e apelou para que os dirigentes do regime se entreguem. "Rendam-se ao povo iraniano. Declarem a sua lealdade ao meu programa e ao sistema transitório. E entreguem o governo sem mais derramamento de sangue", instou no X. Horas antes, num texto publicado pelo The Washington Post, Reza Pahlavi garante que "o Irão não é o Iraque" e que os erros cometidos no Estado vizinho não serão repetidos. Na mensagem vídeo publicada na rede de Elon Musk, Pahlavi disse que "qualquer tentativa dos remanescentes do regime de nomear um sucessor para Khamenei já falhou". Isto porque, a seu ver, "quem quer que coloquem no seu lugar não só carecerá de legitimidade, como também será cúmplice dos crimes do regime". Encorajou o povo iraniano a juntar a sua voz esta noite com um lema, para demonstrar a sua satisfação para com o ataque ao regime por um lado, e a cada um para "gritar as suas exigências para o futuro do Irão". Noutra mensagem também no X, Pahlavi havia descrito os bombardeamentos de Israel e dos EUA de "intervenção humanitária", cujo alvo é a "república islâmica, o seu aparelho repressivo e a sua máquina de matar".Pahlavi, de 65 anos, ganhou visibilidade nos últimos meses, desde a guerra dos 12 dias de junho passado, mas sobretudo quando os grandes protestos arrancaram no final de dezembro. Apanhado pela revolução islâmica de 1979 a estudar nos Estados Unidos, aí permaneceu exilado. A rejeição da monarquia, materializado no ódio à SAVAK, a polícia secreta que durante anos reprimiu de forma brutal os dissidentes, levou a que a ideia da restituição do xá parecesse uma quimera. Mas a fragmentação das oposições à teocracia e o trabalho até há meses discreto de Reza Pahlavi poderão funcionar em favor deste. Em janeiro, o filho de Mohammad Reza Pahlavi revelou ter preparado um plano chamado Projeto de Prosperidade do Irão. É, na prática, uma rede composta por mais de cem especialistas do seu país em economia, direito, energia, governação, saúde pública e infraestruturas, que concebeu planos pormenorizados para "uma transição ordenada que preserve os serviços essenciais, estabilize a economia e restaure a confiança no país e no exterior". Um plano que se apoia nos atuais funcionários da administração iraniana, para não acontecer como no Iraque com a queda de Saddam Hussein, com a perseguição ao aparelho do Estado que era composto por elementos do partido Baath. Aliás, o pretendente ao trono diz ter lançado com a sua equipa um programa no qual os funcionários do regime podem sinalizar a sua vontade de desertar, através de uma plataforma segura. Pahlavi diz terem recebido "dezenas de milhares" de mensagens.No texto publicado neste sábado, Pahlavi afirma-se "impressionado com a coragem" daqueles que nas ruas lhe pediram para liderar a transição. "Respondi ao seu apelo. O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido", compromete-se.Pahlavi garante um lugar para todos aqueles que concordarem com a separação do Estado e da religião, da igualdade e liberdades cívicas, a integridade territorial e o direito do povo em decidir democraticamente a forma de governo. Disse ainda que o plano, um "roteiro detalhado para a recuperação nacional, incluindo os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo", é "apoiado por muitos líderes empresariais em todo o mundo"."O Irão não é o Iraque. Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito. Não haverá dissolução de instituições, nem vácuo de poder, nem caos", assegura.Até há pouco tempo, Pahlavi não era adepto de uma intervenção externa. Disse-ao ao site Politico, tendo sustentado que esperava a queda do regime devido a uma combinação de fraturas internas e pressão popular devido à crescente insatisfação económica em combinação com as ondas de repressão que atingiram quem se manifestou pelos direitos das mulheres após a morte da jovem curda Mahsa Amini. Enquanto se encontrou "várias vezes" com o secretário de Estado Marco Rubio, de quem só tece elogios, e com o enviado Steve Witkoff, segundo o site Axios, o presidente Donald Trump não o recebeu. Ao que o Axios reportou, a administração norte-americana ficou surpreendida com a popularidade de Pahlavi nas ruas do Irão, tendo em conta os cânticos ouvidos nas manifestações que fizeram tremer o regime durante janeiro.No texto do Post, Pahlavi disse ainda que, "mesmo com a ajuda dos EUA e de Israel, a vitória final será conquistada pelo povo iraniano", porque estes "são os soldados no terreno".Amizade com EUA e IsraelPara o príncipe herdeiro, "um Irão livre retomará, após décadas, as suas antigas relações cordiais com os Estados Unidos. O renascimento da nossa nação dará início a uma era de paz e prosperidade, com reservas de energia, uma população instruída e empreendedora e uma geografia que a torna um centro natural do comércio regional".Mas não só: "Prolongaria esse avanço ao reconhecer imediatamente Israel e ao prosseguir um quadro mais amplo de paz regional que ligue o Irão, Israel e os nossos vizinhos árabes em cooperação em vez de conflito", tendo proposto que tal se chame os Acordos de Ciro em homenagem a Ciro, o Grande..Khamenei está morto. Quem vai mandar agora no Irão?.Análise: as três fragilidades do Irão explicam momento para a guerra