Mykhailo Fedorov disse esta quinta-feira (23 de julho) que só aceita voltar a ser ministro da Defesa da Ucrânia, recusando qualquer outro cargo oferecido por Volodymyr Zelensky. O presidente ucraniano, que já se reuniu várias vezes com Fedorov desde que o demitiu a 14 de julho e está pressionado para o readmitir pelos protestos nas ruas, revelou mais cedo ter-lhe oferecido várias posições no governo, incluindo o de vice-primeiro-ministro para a inovação na Defesa. “Estou grato ao presidente por todas as opções oferecidas. No entanto, hoje existem apenas três cargos no país que, ao lado das tropas no campo de batalha, moldam realmente o rumo da guerra: o presidente, o ministro da Defesa e o comandante das Forças Armadas da Ucrânia”, disse Fedorov num comunicado. “É por isso que não aceitarei qualquer cargo que não seja o de ministro da Defesa”, referiu. A demissão de Fedorov, no meio de um braço de ferro com o líder das Forças Armadas Oleksandr Syrskyi, desencadeou manifestações na Ucrânia, levando Zelensky a ceder e a afastar também este último e a nomear Mykhailo Drapatyi. Mas os manifestantes não recuam nas suas exigências, querendo que Fedorov recupere o seu posto. “Fedorov recusou todos os cargos, exceto o de ministro da Defesa. E fez o que estava certo - é preciso levar avante esta nomeação. Reformas no Ministério da Defesa vão acontecer!”, escreveu no X Dmytro Koziatynskyi, um dos organizadores dos protestos, convocando os manifestantes para a praça Ivan Franko, a partir das 20h00 locais (18.00 em Lisboa). “Talvez tenhamos de protestar durante muito tempo, por isso reúnam as vossas forças e preparem-se - eles certamente nos ouvirão.”Zelensky tem que lidar com a revolta numa altura em que a Ucrânia continua na mira da Rússia. Pelo menos 168 drones e seis mísseis balísticos foram lançados durante a noite, causando a morte a cinco pessoas. O presidente falou na quarta-feira à noite com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, procurando uma forma de reatar os esforços diplomáticos para acabar com a guerra. Entretanto, em Manila, o chefe de Estado, Marco Rubio, reuniu com o homólogo russo, Sergei Lavrov, defendendo que são necessárias “novas ideias” para avançar para a paz..Zelensky nomeia novo líder militar mas não trava os protestos nas ruas.Syrskyi nega divergências com o ex-ministro da Defesa ucraniano .Afastamento do ministro da Defesa leva ucranianos às ruas. Irá Zelensky ceder?