O exército israelita atacou este domingo, 14 de junho, alvos do Hezbollah em Beirute, no Líbano, o que pode complicar os esforços para finalizar um acordo para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irão. Donald Trump tinha indicado que o acordo seria assinado este domingo e, apesar de não haver confirmação de Teerão, a agência Reuters revelou aqueles que serão os termos desse memorando de entendimento.O gabinete de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, afirmou que os ataques foram uma resposta aos efetuados pelo Hezbollah contra o norte de Israel. Um prédio de apartamentos de cinco andares com lojas no rés-do-chão terá sido atingido e a Defesa Civil informou ter recuperado três corpos e seis feridos dos escombros.Donald Trump já reagiu, criticando a decisão de Israel de atacar Beirute. “O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, principalmente num dia tão especial como este, em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irão”, considerou o presidente norte-americano, numa mensagem publicada na rede social Truth Social. “Israel tem o direito de se defender contra ameaças, mas o ataque a que respondeu foi muito pequeno e insignificante”, defendeu, afirmando que “ninguém ficou ferido, morto ou sofreu qualquer dano”, pelo que “não deveria interromper este importante processo”.Trump assinalou que se está “muito perto de um acordo que trará a paz à região, incluindo ao Líbano”, pelo que “todos os lados devem recuar”.“Não deverá haver mais ataques de Israel em qualquer parte do Líbano, mas também não deverá haver mais ataques de qualquer outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel. Este pode ser o início de uma paz longa e bela — não vamos estragar tudo!”, apelou Trump.. Já antes o presidente norte-americano tinha pressionado o aliado Benjamin Netanyahu para que parasse de atacar o Líbano. Mas Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, justificam o ataque dizendo que Israel não tolerará disparos contra o seu território.. Um alto responsável militar iraniano alertou entretanto que o ataque de Israel aos subúrbios do sul de Beirute não ficaria “sem resposta” por parte de Teerão. “Sem dúvida, estes crimes não ficarão impunes”, disse o Brigadeiro-General Mohammad Jafar Asadi, vice-comandante do mais alto comando militar do Irão, à agência de notícias Defa PressO acordo que poderá estar prestes a ser assinado não vai de encontro aos objetivos de Israel, que tem sido colocado de lado nas negociações para um entendimento. Uma delegação do Qatar viajou para Teerão este domingo para tentar fechar o acordo.A Reuters avançou este domingo, citando uma fonte iraniana, que no projeto de memorando o Irão concordou em não produzir ou adquirir armas nucleares e em abrir imeditamente o Estreito de Ormuz a todas as embarcações comerciais.Teerão deverá também diluir o seu stock de urânio altamente enriquecido, através de um mecanismo a discutir nos próximos 60 dias. Não deve haver enriquecimento de urânio nem expansão das instalações.Em contrapartida, os EUA levantarão o bloquio naval, suspenderão as sanções petrolíferas contra o Irão por um período específico, permitindo a Teerão vender petróleo e receber receitas, e não aplicarão novas sanções até que seja alcançado um acordo final. Segundo esta fonte iraniana disse à Reuters, a minuta do acordo inclui a libertação, por parte dos EUA, de 25 mil milhões de dólares em ativos iranianos congelados.Horas antes, "uma fonte bem informada próxima da equipa de negociação iraniana" tinha dito à Fars, uma agência próxima dos círculos conservadores iranianos, que a "República Islâmica do Irão ainda não tomou nem anunciou a sua decisão final relativamente ao memorando de entendimento proposto durante as negociações".O possível acordo enfrenta, dizia, a oposição de figuras da linha dura iranianas, que defendem que não serve os interesses do Irão e privaria Teerão de influência sobre o estratégico Estreito de Ormuz..Irão concorda em não produzir ou adquirir armas nucleares, segundo minuta de acordo