Os dois executores do testamento de Jeffrey Epstein propuseram um acordo de 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros) às vítimas do criminoso sexual norte-americano que interpuseram uma ação coletiva contra ambos, segundo uma minuta publicada esta sexta-feira, 20 de fevereiro.A minuta do acordo, que não inclui qualquer admissão de culpa por parte de Darren Indyke e Richard Kahn, antigo advogado pessoal e antigo contabilista de Epstein, respetivamente, tem ainda de ser aprovada por um juiz federal em Nova Iorque.Os dois homens foram escolhidos como executores conjuntos do espólio de Epstein, que foi atualizado dois dias antes da sua morte na prisão, a 10 de agosto de 2019, e considerada como suicídio.Segundo o documento, analisado pela AFP, o espólio de Epstein pagará 25 milhões de dólares se menos de 40 alegadas vítimas forem consideradas elegíveis para o acordo. O valor sobe para 35 milhões de dólares (29,7 milhões de euros) se mais de 40 pessoas cumprirem os critérios.Os beneficiários da oferta devem também concordar em renunciar a quaisquer outros processos judiciais e não devem ter nenhum acordo anterior para receber qualquer valor do património de Epstein ou do Fundo de Compensação às Vítimas de Epstein.Património avaliado em 600 milhõesNuma ação coletiva interposta em 2024, Darren Indyke e Richard Kahn foram acusados de “facilitar, participar e ocultar a conduta ilegal de Epstein” para obterem ganhos financeiros próprios, referem os meios de comunicação norte-americanos.“Nenhum dos dois executores testamentários reconheceu ou admitiu qualquer irregularidade”, afirmou um dos seus advogados, num comunicado de imprensa citado pela ABC News.“Isto não é surpreendente: nenhuma mulher alguma vez os acusou de cometer ou testemunhar agressão sexual, nem qualquer mulher alguma vez alegou ter-lhes relatado qualquer denúncia de abuso por parte do senhor Epstein”, refere o mesmo documento.Após a sua morte, o património de Epstein foi avaliado em aproximadamente 600 milhões de dólares (510 milhões de euros), valor que diminuiu após a resolução de outros processos.Os crimes pelos quais Epstein foi acusado incluíram tráfico sexual de menores, através de recrutamento e abuso de dezenas de raparigas menores de idade, algumas com apenas 14 anos, nas suas propriedades em Manhattan, Palm Beach, Novo México e na sua ilha privada nas Ilhas Virgens..Polícia investiga alegações de que Epstein traficava mulheres através de aeroportos britânicos.Peritos da ONU dizem que arquivos de Epstein revelam possíveis crimes contra a humanidade