A meio do seu programa no YouTube, a comentadora política tailandesa Anchalee Paireerak recebeu uma chamada. Apesar de não se ouvir o que o interlocutor lhe dizia, o choque da apresentadora deixava adivinhar algo grave. Tal como as suas palavras: "Ele morreu? Ele morreu? Atingiu-o na cabeça? Tem de ficar aí à espera da polícia", diz Paireerak no vídeo, que foi visto pela BBC. Do outro lado da linha estava Chalong Reawraeng, um antigo deputado que acabara de matar a tiro um funcionário local na província de Nonthaburi, no sul do país. Na conversa com Paireerak explicou ter alvejado Thongchai Yenprasert, um ex-polícia, à porta do escritório deste. A vítima, que foi atingida no pescoço, morreu no hospital. O seu motorista foi alvejado no braço e na mão.Detido no local pelas autoridades, Chalong foi, no entanto, autorizado a dar uma conferência de imprensa, já na esquadra, onde tentou explicar o que tinha acontecido. Tudo isto enquanto fumava um cigarro.Segundo o ex-deputado, Thongchai estaria "zangado" com ele, apesar de não ter avançado quais os motivos da zanga. Afirmou ainda que não tinha a intenção de alvejar o presidente da Organização Administrativa Provincial de Nonthaburi, que descreveu como um "bom amigo".Segundo o próprio, Chalong terá comunicado a Thongchai que queria falar com ele. De acordo com relatos da imprensa local, citada também pela BBC, os dois estariam envolvidos numa disputa pessoal."Ele [Thongchai] empurrou-me então, dizendo: 'Não quero falar, não quero falar.'" Chalong seguiu-o então até ao carro, tendo sacado da arma. "Não tinha intenção de disparar contra ele. Mas depois [o motorista de Thongchai] sacou da arma e apontou-ma, por isso disparei", confessou. Segundo tiroteio em três diasEste tiroteio surge apenas três dias depois de um adolescente de 14 anos ter matado a tiro oito pessoas no norte de Banguecoque. O rapaz abriu fogo numa escola secundária da capital tailandesa, tendo depois acabado por se matar. Segundo a polícia local, o jovem matou primeiro os avós, em casa, com uma pistola que pertencia ao avô, dirigindo-se depois à escola secundária que frequentava.A Tailândia apresenta uma das taxas de posse de armas mais elevadas do Sudeste Asiático, com cerca de 10 milhões de armas de fogo estimadas em circulação, ou seja, uma por cada sete habitantes.Os compromissos políticos no sentido de endurecer a legislação sobre armas não impediram a repetição de tiroteios.Em fevereiro, um adolescente abriu fogo numa escola no sul do país, matando o diretor do estabelecimento educativo e ferindo dois alunos antes de ser detido pela polícia.Em 2022, um ex-polícia armado com uma pistola e uma faca matou 24 crianças e 12 adultos numa creche no norte do país.O tiroteio desta segunda-feira irá, com certeza, intensificar ainda mais o debate sobre o controlo de armas na TailândiaApós o tiroteio ocorrido na sexta-feira numa escola, o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, ordenou uma aplicação mais rigorosa das leis sobre armas e afirmou que a polícia iria instalar postos de controlo no âmbito de uma operação de dissuasão.Outras medidas incluirão o reforço dos controlos sobre a posse, o porte e a utilização de armas de fogo..Sobe para oito o número de mortos em ataque com arma de fogo a escola na Tailândia. Têm entre 12 e 14 anos