O porta-voz da Assembleia Nacional Popular da China, Lou Qinjian, afirmou esta quarta-feira, 4 de março, que “a Europa precisa da China e a China precisa da Europa”, defendendo o caráter complementar da relação entre ambas as partes, face a tensões crescentes comerciais. Declarações feitas no primeiro dia da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e na véspera do início da Assembleia Popular Nacional, o maior encontro político anual da China, mais conhecido por “duas sessões”, e no qual são estabelecidas as prioridades de Pequim.Lou recordou que em 2025 se assinalou o 50.º aniversário das relações diplomáticas entre a China e a União Europeia e destacou que os contactos de alto nível foram “frequentes”, referindo que a relação económica e comercial entre Pequim e Bruxelas baseia-se na “complementaridade de vantagens e no benefício mútuo”, sendo que a cooperação com a China contribui para o desenvolvimento económico europeu e para a melhoria do bem-estar social no continente.De acordo com este responsável, entre as duas partes “não existem conflitos fundamentais de interesses nem contradições geopolíticas” e manifestou a disponibilidade de Pequim para “gerir adequadamente as diferenças comerciais”. A verdade é que existem atualmente fricções comerciais entre a China e a União Europeia, relacionadas com medidas como as tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses, os controlos chineses à exportação de terras raras e outros materiais estratégicos, as queixas de empresas europeias sobre restrições de acesso ao mercado chinês e disputas em torno das cadeias de abastecimento globais.Lou indicou ainda que a Assembleia Popular Nacional está disposta a reforçar os contactos com o Parlamento Europeu e com os parlamentos nacionais dos 27 para “aumentar o entendimento, ampliar consensos e promover a cooperação”, de forma a impulsionar um desenvolvimento estável e sustentado das relações entre China e Europa.Nos próximos dias - a reunião anual das “duas sessões” costuma durar entre uma a duas semanas -, o mundo irá seguir com atenção a reunião da Assembleia Popular Nacional, já que este ano será aprovado o próximo Plano Quinquenal que a China seguirá entre 2026 e 2030. Documento que mostrará as metas económicas a longo prazo de Pequim, nomeadamente nos setores de alta tecnologia e das energias renováveis, e dos planos para impulsionar o consumo interno, que tem mostrado um ritmo lento. com Lusa.Paris acolhe nova ronda China‑EUA com foco em tarifas, investimento e terras raras .Friedrich Merz defende em Pequim relação mais “justa” com a China