Os líderes das maiores potências da Europa mostraram esta terça-feira, 6 de janeiro, publicamente o seu apoio à Gronelândia, afirmando que a ilha pertence ao seu povo, respondendo às novas ameaças feitas pelo presidente dos EUA e pelo seu chefe de gabinete adjunto, Stephen Miller, sobre assumir o controlo deste território autónomo dinamarquês localizado no Ártico.“A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e só a elas, decidir sobre os assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia”, refere a declaração assinada pela primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, pelo presidente francês Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão Friedrich Merz, e pelos chefes de Governo de Itália, Giorgia Meloni, do Reino Unido, Keir Starmer, de Espanha, Pedro Sánchez, e da Polónia, Donald Tusk, todos eles ontem em Paris para a reunião da Coligação dos Dispostos (ver texto ao lado). E sublinharam que a segurança no Ártico é uma prioridade fundamental para a Europa, sendo crucial para a segurança internacional e transatlântica, e que “deve, portanto, ser alcançada coletivamente, em conjunto com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, defendendo os princípios da Carta da ONU, incluindo a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Estes são princípios universais e não deixaremos de os defender”.Este grupo de sete líderes notou ainda que “a NATO deixou claro que a região do Ártico é uma prioridade e os aliados europeus estão a intensificar os seus esforços”, através da sua presença, atividades e investimentos “para manter o Ártico seguro e dissuadir os adversários”. “Os Estados Unidos são um parceiro essencial neste esforço, como aliado da NATO e através do acordo de defesa entre o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos de 1951”, é ainda referido. O líder do governo do Canadá, Mark Carney, também em Paris, disse em comunicado após um encontro com Mette Frederiksen, subscrever a carta dos sete líderes europeus. Horas mais tarde, os chefes da diplomacia dos países nórdicos, lembrando serem nações do Ártico e aliados da NATO, repetiram num outro comunicado o que já havia sido dito pelos outros líderes europeus, sublinhando estarem “coletivamente empenhados em preservar a segurança, a estabilidade e a cooperação no Árctico”. O primeiro-ministro da Gronelândia agradeceu “o apoio dos nossos amigos da Europa através da NATO”, pois “demonstra claramente o nosso empenho em respeitar as nossas fronteiras, a nossa soberania e em defender as normas internacionais”. Jens-Frederik Nielsen pediu ainda aos EUA para que “procurem o diálogo através dos canais políticos adequados, das melhores oportunidades de diálogo possíveis, e que os Estados Unidos se baseiem nos acordos existentes”. “A cooperação será realizada dentro das fronteiras do país, como está claramente estipulado na lei dos direitos humanos e nas nossas políticas fronteiriças”.Estas declarações de apoio à Gronelândia surgem na sequência das declarações de Donald Trump, que voltou a afirmar que os EUA precisam da maior ilha do mundo “do ponto de vista da segurança nacional”. O seu chefe de gabinete adjunto, Stephen Miller, em entrevista à CNN, aumentou a pressão dizendo que não seria necessária uma intervenção militar para tomar o controlo da ilha porque “ninguém vai lutar militarmente contra os EUA pelo futuro da Gronelândia”. Miller parece ter descartado a possibilidade de uma intervenção militar também devido à pequena população da ilha - que apontou como rondando as 30.000 pessoas (na verdade, são cerca de 57.000). “A verdadeira questão é que direito tem a Dinamarca de exercer controlo sobre a Gronelândia? Qual é a base da sua reivindicação territorial? Qual é o fundamento para considerar a Gronelândia uma colónia da Dinamarca?”, questionou. “Os EUA são a potência da NATO. Para que os EUA garantam a segurança da região do Ártico, de forma a proteger e defender a NATO e os seus interesses, obviamente que a Gronelândia deveria fazer parte dos EUA. E essa é uma conversa que teremos como país. Este é um processo que teremos como comunidade de nações”.."Basta!" Governo da Gronelândia condena pressões de Trump sobre a anexação do território pelos EUA