A guerra dos Estados Unidos contra o Irão custou até agora 25 mil milhões de dólares (cerca de 21,3 mil milhões de euros), afirmou esta quarta-feira, 29 de abril, Jules Hurst, subsecretário da Defesa com a pasta orçamental, naquela que é a primeira estimativa oficial do custo militar norte-americano do conflito. “A maior parte disto refere-se a munições, e uma parte, obviamente, à operação e manutenção e substituição de equipamento”, disse Hurst, falando numa audição da Comissão dos Serviços Armados da Câmara dos Representantes. “Vamos elaborar um suplemento através da Casa Branca, que será enviado para o Congresso assim que tivermos uma avaliação completa do custo do conflito”, acrescentou.O motivo principal para esta audição é o plano de 1,5 biliões de dólares apresentado pela Casa Branca para financiar o Pentágono em 2027, um orçamento que, para o secretário da Defesa “reflete a urgência do momento”. Pete Hegseth reforçou que este é um orçamento “histórico” e “de guerra”, sublinhando que o Pentágono precisa de voltar a estar em “estado de guerra” após o que chamou de anos de subinvestimento durante a administração de Joe Biden.Falando concretamente sobre a guerra contra o Irão, Hegseth rebateu as críticas dos congressistas democratas de que a Casa Branca atirou os norte-americanos para um “pântano”, afirmando que o conflito tem apenas dois meses e que já obteve grandes sucessos contra o Irão. “O Irão não pode ter uma bomba nuclear. Estamos orgulhosos desta conquista. O maior desafio, o maior adversário que enfrentamos neste momento são as palavras imprudentes, irresponsáveis e derrotistas dos democratas no Congresso e de alguns republicanos”, disse logo na sua intervenção inicial.O secretário de Defesa norte-americano foi ainda questionado sobre o custo da guerra, nomeadamente para os norte-americanos, a braços com o aumento dos preços do combustível e do cabaz alimentar, respondendo apenas: “Eu simplesmente perguntaria qual é o custo de uma bomba nuclear iraniana”. E recusou-se a responder por quanto tempo e quanto poderá vir a custar o conflito, alegando que as Forças Armadas dos EUA nunca revelariam a um adversário durante quanto tempo estariam comprometidas com a missão.Numa outra tentativa de rebater os ataques dos democratas, Pete Hegseth afirmou ainda que o povo norte-americano apoia o objetivo da guerra contra o Irão, mas a verdade é que as sondagens destes últimos dois meses têm contrariado esta afirmação. A mais recente, publicada esta semana pela Reuters, mostra que a taxa de aprovação do presidente dos EUA desceu para o nível mais baixo do seu atual mandato, à medida que os norte-americanos se mostram cada vez mais descontentes com a sua gestão do custo de vida e com a impopular guerra contra o Irão.O estudo, levado a cabo pela Ipsos para a Reuters e concluído na segunda-feira, mostra que apenas 34% dos norte-americanos aprovam o desempenho de Trump na Casa Branca, uma queda face aos 36% registados na sondagem anterior, realizada entre os dias 15 e 20. Quando tomou posse, a sua taxa de aprovação estava nos 47%.De notar ainda que apenas 34% dos norte-americanos aprovam a guerra com o Irão, uma queda face aos 36% em meados de abril e aos 38% no mês anterior. Esta sondagem da Reuters/Ipsos revela ainda que apenas 22% dos inquiridos aprovaram o desempenho de Trump em relação ao custo de vida, uma descida face aos 25% do estudo de opinião anterior.Valores que poderão continuar a cair devido ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irão, impasse que poderá prolongar-se, depois de Donald Trump ter dito esta quarta-feira ao Axios que vai manter o Irão sob bloqueio naval até que Teerão aceda a assinar um acordo que inclua as preocupações dos EUA sobre o seu programa nuclear.“O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeamentos. Estão a sufocar como um porco recheado. E vai piorar para eles. Não podem ter uma arma nuclear”, declarou o presidente norte-americano ao Axios. “Eles querem chegar a um acordo. Não querem que eu mantenha o bloqueio. Não quero [suspender o bloqueio], porque não quero que tenham uma arma nuclear”.No entanto, uma fonte oficial iraniana citada pela emissora estatal de língua inglesa Press TV, garantiu ontem que o bloqueio naval dos EUA “em breve será respondido com ações práticas e sem precedentes”. A mesma fonte acrescentou que as forças armadas do Irão têm mostrado contenção para dar uma oportunidade à diplomacia e proporcionar a Trump a oportunidade de terminar a guerra, mas que “acreditam que a paciência tem limites e que é necessária uma resposta punitiva” caso o bloqueio continue.Bruxelas também já fez as contas aos gastos nestes dois meses de conflito no Irão, com Ursula von der a anunciar esta quarta-feira que a União Europeia gastou mais de 27 mil milhões de euros adicionais a importar combustíveis fósseis, perdendo “quase 500 milhões por dia”. Para a presidente do executivo comunitário a lição a aprender com a crise é clara: “num mundo turbulento como o nosso, não podemos ficar dependentes de energia importada”.Depois de ter anunciado na semana passada medidas para fazer face ao aumento dos preços da energia e dos combustíveis junto dos europeus, a Comissão aprovou esta quarta-feira um novo regime temporário (até 31 de dezembro) de auxílios estatais para permitir que 27 apoiem os principais setores afetados pelo aumento dos preços provocado pela guerra no Médio Oriente - agricultura, pesca, transportes terrestres, fluviais ou marítimos dentro da União Europeia, e indústrias intensivas em energia..Do nuclear à mudança de regime: o raciocínio de Trump para poder declarar vitória no Irão