Os esforços para colocar um ponto final na guerra entre Estados Unidos e o Irão assistiram esta terça-feira, 28 de abril, a mais um dia de impasse, com Donald Trump alegadamente descontente com o plano apresentado por Teerão - que prevê o adiamento da discussão do seu programa nuclear até ao fim do conflito e à resolução da navegação no Golfo - e a garantir que a República Islâmica informou Washington que o país está em “estado de colapso” e a tentar definir a sua liderança.“O Irão acaba de nos informar que está em ‘estado de colapso’. Querem que ‘abramos o Estreito de Ormuz’ o mais rapidamente possível, enquanto tentam resolver a sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão fazer!). Agradeço a vossa atenção a este assunto!”, escreveu o presidente norte-americano na Truth Social esta terça-feira à tarde. No entanto, Trump não esclareceu como é que o Irão terá comunicado esta realidade aos Estados Unidos, não tendo também havido uma reação pronta de Teerão a esta publicação do líder da Casa Branca. Certo é que logo pela manhã desta terça-feira um porta-voz do exército iraniano havia garantido que, para o Irão, “ainda se trata de uma situação de guerra e existe uma monitorização e vigilância contínuas”.“Se o inimigo realizar uma nova ação, enfrentará novas ferramentas, métodos e arenas”, declarou a mesma fonte, citada pela agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica.Já depois de conhecida a publicação de Donald Trump, o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, afirmou que a Casa Branca “deve abandonar as suas exigências ilegais e irracionais”. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar a sua política a nações independentes”, prosseguiu Talaei-Nik, citado pela televisão estatal iraniana. A demora na resolução deste conflito levou o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, a presidir esta terça-feira a uma reunião consultiva do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), naquele que foi o primeiro encontro presencial dos líderes da região desde que se tornaram um alvo na guerra contra o Irão. Nela participaram também o emir do Qatar, o príncipe herdeiro do Kuwait, o rei do Bahrein e o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, não sendo claro quem representou Omã.De acordo com os media estatais sauditas, esta reunião serviu para discutir “tópicos e questões relacionadas com os desenvolvimentos regionais e internacionais, e a coordenação de esforços a seu respeito”, com um oficial da região a adiantar à Reuters que o encontro teve como objetivo elaborar uma resposta aos ataques de mísseis e drones iranianos que os países do Golfo têm enfrentado nestes últimos dois meses.De recordar que, na segunda-feira, o embaixador de Teerão junto das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, alertou que “a estabilidade e a segurança duradouras no Golfo Pérsico e na região em geral só podem ser alcançadas através de uma cessação duradoura e permanente da agressão contra o Irão, complementada por garantias credíveis de não repetição e pleno respeito pelos direitos e interesses soberanos legítimos do Irão.”O encontro realizou-se numa altura em que a resposta do Conselho de Cooperação do Golfo tem sido alvo de críticas por parte dos Emirados Árabes Unidos, como deixou claro na segunda-feira o conselheiro diplomático do presidente, Anwar Gargash. “É verdade que, logisticamente, os países do CCG se apoiaram mutuamente, mas política e militarmente, penso que a sua posição foi a mais fraca da história”, disse o também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros dos EAU. “Esperava uma posição tão fraca da Liga Árabe e não estou surpreendido com isso, mas não esperava isso do CCG e estou surpreendido com isso”.Este desalinhamento dos Emirados Árabes Unidos ficou esta terça-feira também vincado quando inesperadamente Abu Dhabi anunciou a sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, e do seu grupo irmão OPEP+, que inclui países como a Rússia, a partir de 1 de maio.De acordo com o ministro da Energia dos Emirados, Suhail bin Mohamed Al Mazrouei, esta decisão “reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos do mercado a longo prazo”, sublinhando que “mantemos o nosso compromisso com a segurança energética, garantindo um fornecimento fiável, responsável e com baixas emissões de carbono, ao mesmo tempo que apoiamos a estabilidade dos mercados globais”.A agora anunciada saída da OPEP irá permitir aos Emirados, pelo menos em teoria, produzir mais petróleo e gás, pois deixará de ter de seguir as regras da organização, que define as quotas de produção para os seus membros numa tentativa de controlar o preço do petróleo. Uma intenção que foi admitida ainda esta terça-feira pelos Emirados Árabes Unidos - que eram o terceiro maior produtor de petróleo da OPEP, atrás da Arábia Saudita e do Iraque -, que garantiram que pretendem disponibilizar produção adicional no mercado após a saída do bloco, com a agência agência de notícias estatal a publicar um comunicado onde Abu Dhabi se compromete a “agir com responsabilidade, disponibilizando produção adicional no mercado de forma gradual e ponderada, alinhada com a procura e as condições de mercado” após a sua saída.Mas, tal como todos, enfrenta o sério desafio do bloqueio no Estreito de Ormuz. Por outro lado, poderá enfraquecer uma organização à qual pertencia desde 1967 (a OPEP foi criada em 1960) e que procurou sempre apresentar-se como uma frente unida. “Embora os efeitos a curto prazo possam ser atenuados devido às contínuas perturbações no Estreito de Ormuz, a implicação a longo prazo é uma OPEP estruturalmente mais fraca. Fora do grupo, os EAU teriam tanto o incentivo como a capacidade de aumentar a produção, levantando questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como estabilizadora central do mercado, e apontando para um mercado petrolífero potencialmente mais volátil à medida que a capacidade da OPEP de suavizar os desequilíbrios de oferta diminui”, notou esta terça-feira Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy..Como a “pequena excursão” no Irão se tornou numa guerra económica e crise energética .OPEP+ aumenta produção de petróleo em 206 mil barris por dia a partir de maio