Esta quarta-feira, 6 de maio, começou com um raio de esperança, quando o reputado site noticioso Axios deu conta de que os Estados Unidos acreditavam estar perto de um acordo com o Irão sobre um memorando de entendimento de uma página para pôr fim à guerra e estabelecer uma estrutura para negociações nucleares mais detalhadas. Uma notícia que foi repetida mundo fora e que levou os preços do petróleo a caírem para mínimos de duas semanas, abaixo dos 100 dólares. “O anúncio de um acordo movimentaria ainda mais os contratos de futuros imediatamente; na verdade, a simples possibilidade de um acordo já está a provocar uma queda nos preços do petróleo”, explicou à Reuters Paola Rodriguez-Masiu, analista-chefe de petróleo da Rystad Energy. As principais bolsas europeias chegaram também a subir mais de 2% devido à possibilidade de haver em breve um acordo de paz.Mas a realidade acabou por contrariar esta possibilidade, com o presidente dos Estados Unidos a usar a sua rede social para fazer um novo ultimato ao Irão, ameaçando bombardear o país com “uma intensidade muito maior do que antes” caso os líderes iranianos não cheguem a um acordo com a Casa Branca.“Se o Irão aceitar ceder o que for proposto, o que talvez seja uma suposição significativa, a já lendária operação ‘Fúria Épica’ será encerrada”, escreveu Donald Trump na Truth Social. “Se não houver acordo, o bombardeamento começará e, infelizmente, será a uma escala e com uma intensidade muito maiores do que antes”.Numa entrevista dada esta quarta-feira ao New York Post, Donald Trump admitiu ainda que é “demasiado cedo” para começar a pensar em conversações de paz presenciais entre os EUA e o Irão, como as que tiveram lugar em Islamabad em meados de abril, mediadas pelo Paquistão, e que contaram, do lado norte-americano, com a presença do vice-presidente JD Vance, do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner, enquanto a delegação iraniana foi encabeçada pelo líder do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.Ghalibaf, precisamente, comentou esta quarta-feira as mais recentes manobras dos EUA, dizendo que a Casa Branca está a tentar a rendição de Teerão através de diversos meios, incluindo um bloqueio naval, não dando quaisquer pormenores sobre as perspetivas de um plano de paz.“O inimigo, na sua nova estratégia, procura, através de um bloqueio naval, pressão económica e manipulação dos media, destruir a coesão do país para nos forçar à rendição”, disse o principal negociador iraniano numa mensagem de voz publicada no seu canal oficial no Telegram.Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, desmentiu a notícia do Axios, declarando que se tratava de uma “lista de desejos americana e não de uma realidade”. “Os americanos não conseguirão numa guerra perdida o que não conseguiram nas negociações diretas. O Irão está com o dedo no gatilho e pronto; se não se renderem e fizerem as concessões necessárias, ou se eles ou os seus lacaios tentarem qualquer maldade, responderemos com uma resposta dura e lamentável”, escreveu no X. Numa outra frente, Araghchi foi ontem recebido pelo seu homólogo chinês, Wang Yi, sublinhando assim os laços estreitos entre os dois países antes da viagem da próxima semana de Trump a Pequim para se encontrar com Xi Jinping. “O Irão, tal como demonstrou força na sua defesa e continua totalmente preparado para enfrentar qualquer agressão, também se mostra sério e firme no campo da diplomacia”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano. .Incerteza em torno do plano de 10 pontos que o Irão apresentou e que Trump diz ser "viável"