O Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) anunciou esta segunda-feira (13 de julho) que lançou, pela terceira noite consecutiva, ataques contra o Irão, após Donald Trump ter ameaçado que as forças norte-americanas atacariam "com muita força" a República Islâmica.Numa nota na rede social X, o Centcom indicou que os bombardeamentos visam degradar a capacidade do Irão de atacar civis e navios mercantes no estreito de Ormuz.A agência de notícias oficial iraniana IRNA referiu esta noite que foram registadas quatro explosões a leste de Bandar Abbas, uma cidade portuária no sul do Irão, localizada no estreito de Ormuz.Os ataques começaram poucos minutos depois do Presidente norte-americano, Donald Trump ter declarado, numa entrevista, que a República Islâmica seria atingida "com muita força" na mesma noite."Vamos atacá-los com muita força esta noite e amanhã (terça-feira), e não poderão fazer absolutamente nada a esse respeito", destacou Trump durante uma entrevista com o comentador político conservador Hugh Hewitt, acrescentando que já tinham sido identificados potenciais alvos militares.Na entrevista, Trump afirmou que entre os potenciais alvos estava o monte Kolang Gaz La, localizado na província de Isfahan, no centro do Irão, onde a República Islâmica possui, alegadamente, uma quarta instalação nuclear."É um alvo possível para um bom tiro certeiro direto na porta da frente", respondeu Trump sobre a possibilidade de atacar esta zona.Horas antes, o Trump tinha dito que Washington iria restabelecer o bloqueio ao tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos, a partir de terça-feira às 21:00 (hora de Lisboa).Anunciou ainda uma sobretaxa de 20% para a proteção de embarcações de outros países que transitam pelo estreito de Ormuz, após o restabelecimento do bloqueio naval contra o Irão.Estas medidas surgem na sequência dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão no Golfo Pérsico desde a semana passada, rompendo efetivamente o cessar-fogo acordado no memorando de entendimento assinado em 17 de Junho.O estreito de Ormuz, palco central de disputas geopolíticas entre o Irão e os Estados Unidos, é uma das principais rotas marítimas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito, sendo considerado um ponto estratégico para o comércio internacional e para o abastecimento energético global.No âmbito do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerão, os Estados Unidos tinham levantado, a 18 de junho, o bloqueio aos portos iranianos instituído dois meses antes, em resposta ao encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão.Mas com o recomeço das hostilidades entre os dois países nos últimos dias, o líder norte-americano garantiu, desta vez em declarações ao canal Fox News, que os Estados Unidos iam “assumir o controlo” do estreito.Entretanto, o Irão advertiu já que vai impedir os Estados Unidos de interferirem na gestão do estratégico estreito de Ormuz.Na noite passada, os Estados Unidos lançaram uma nova vaga de ataques contra o Irão, para impedir Teerão de atacar navios no estreito de Ormuz.Teerão respondeu com ataques aos aliados regionais de Washington, pondo em causa o cessar-fogo de 08 de abril e o memorando de entendimento firmado em junho passado.Irão e Omã partilham geograficamente o estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica bloqueada desde março devido ao conflito iniciado por uma intervenção militar dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.Teerão e Mascate estão a negociar um protocolo de segurança no estreito para gerir a navegação por onde, antes do conflito, circulava aproximadamente um quinto do petróleo mundial.