Esta promete ser uma segunda-feira (20) intensa no Paquistão, onde se encontram representantes do Governo dos Estados Unidos para negociar, novamente, os termos de um acordo com o Irão. Por sua vez, a Guarda Revolucionária daquele país garante que nenhum elemento iraniano vai tomar parte em outras negociações em Islamabad até que a administração de Donald Trump acabe com o bloqueio aos portos iranianos. Este é só mais um capítulo na guerra que tem como protagonista da vez uma pequena formação geográfica detentora de um grande poder.O Estreito de Ormuz é, talvez, o local mais disputado da atualidade. Permite a conexão entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, sendo a única via de acesso de países como o Iraque, o Kuwait, o Qatar, o Bahrein, a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes ao oceano. Dividido entre o Irão e Omã, o estreito tem visto a sua relevância estratégica tornar-se fator de pressão decisiva nesta guerra.São apenas 167 quilómetros de extensão - é como quem vai de Lisboa a Castelo Branco pela A1 - mas os ‘condutores’ a operar por lá não são aqueles que querem chegar rapidamente ao Porto para comer uma francesinha. As embarcações que viajam por este estreito transportam cerca de 30% de todo o comércio de petróleo mundial e uns 25% da produção de gás natural liquefeito. É de se compreender, então, que qualquer corte venha a causar mais do que um atraso nas viagens..Bloqueado pelo Irão desde o início da guerra, no final de fevereiro, o Estreito de Ormuz teve menos de 24 horas de passagem livre, durante o último fim de semana. Na sexta-feira, 17 de abril, o Irão anunciou a sua reabertura como resposta ao cessar-fogo entre Israel e o Líbano, decisão que foi comemorada por Donald Trump. “É um dia grandioso e brilhante para o mundo”, escreveu o presidente dos EUA nas suas redes sociais. No entanto, Trump também confirmou que vai manter o bloqueio aos portos do Irão “até que as nossas negociações estejam 100% concluídas”, dando, assim, a justificação para que, no dia seguinte, a passagem fosse novamente bloqueada.Ainda na sexta-feira, os líderes europeus e de outras nações reuniram-se, numa cimeira em Paris, para discutir o futuro do Estreito de Ormuz. O objetivo seria uma “missão defensiva multinacional neutra” para garantir a segurança da navegação pela zona. Liderada pelo presidente de França, Emmanuel Macron, e pelo primeiro-ministro britâmnico, Keir Starmer, o encontro contou com a presença do chanceler alemão e da primeira-ministra de Itália, além de representantes de mais de 40 países, por vídeo conferência. Macron disse que todos devem apelar ao restabelecimento da operação do Estreito, que tem impactos diretos na economia global.O “veste casaco, tira casaco” do fim de semana agrava as tensões e a incerteza. O ministro das Finanças do Qatar deixou alertas recentes sobre o facto de que “o impacto total” do encerramento do estreito pelo Irão deverá ser sentido nos próximos meses, considerando a atual crise energética como apenas “a ponta do icebergue” do problema. Durante a sua participação nas Reuniões da Primavera do Fundo Monetário Internacional, em Washington , Ali bin Ahmed Al Kuwari afirmou que serão sentidos “efeitos em cascata” das restrições no estreito nas cadeias de abastecimento e em setores-chave da economia, como alimentos e fertilizantes.Donald Trump reagiu a este novo bloqueio ameaçando mais uma vez destruir todas as infraestruturas iranianas caso o Estreito de Ormuz permaneça encerrado e afirmando que “não há mais cá bom rapaz” sobre possíveis ataques contra o país. Para as negociações desta segunda-feira no Paquistão, são esperados, do lado norte-americano, o vice-presidente, J.D. Vance, e os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Trump. Do lado iraniano, a agência de notícias estatal do país afirmou, no fim da tarde deste domingo, 19 de abril, que os rumores sobre uma nova negociação mediada pelo Paquistão “não são verdade”. Numa mensagem partilhada na aplicação Telegram, a agência acusa Trump de ter cobranças excessivas, de mudar as suas posições e de ter “uma retórica ameaçadora” que impede a negociações..Médio Oriente. Irão mantém Estreito de Ormuz fechado enquanto durar bloqueio dos EUA .Lula pede a Trump, Putin, Xi Jinping, Macron e Starmer para “pararem com loucura da guerra”