Estónia e Letónia apelaram este sábado, 16 de maio, aos países do sul da Europa, entre eles Portugal, para aumentarem a despesa com a defesa para mais de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), de forma a responder à ameaça da Rússia.“A diferença entre atacar Talin, Berlim ou Madrid com um míssil balístico é de dez minutos. Pode haver um navio porta-contentores cheio de drones Shahed no Mediterrâneo e o alerta antecipado não são dois dias, são dois minutos”, advertiu o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, na Conferência Lennart Meri, que decorre na capital estoniana.“Se não compreendermos que a Europa é pequena e que também os nossos bons amigos em Itália, Espanha, França, Portugal, todos, temos de investir pelo menos 3,5%, mas idealmente 5%, na defesa para podermos defender o nosso belo continente, então teremos problemas", argumentou, destacando, em particular, o contexto de retirada de forças norte-americanas.Pevkur traçou um cenário sombrio, no qual as dificuldades políticas de vários países europeus podem convergir numa “tempestade perfeita” que ofereça ao Kremlin o momento ideal para testar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) ainda este ano ou, o mais tardar, em 2027.Isto acontece num contexto em que os Estados Unidos estão a alterar a sua política, salientou o ministro, embora tenha preferido não especular sobre os pormenores do cancelamento anunciado por Washington do destacamento de 4.000 militares que deveriam ser enviados para a Polónia.A resposta da Europa deve passar por uma maior concentração nas suas próprias capacidades.“Se todos investíssemos 4% - não 5%, mas 4% - obteríamos aproximadamente mil milhões de euros na Europa apenas para a defesa", assegurou.Por seu lado, a ministra dos Negócios Estrangeiros em funções da Letónia, Baiba Braze, que também participou no debate, afirmou que, o mais tardar na cimeira da NATO, em Ancara, este verão, os aliados europeus devem mostrar “progressos”.“Não apenas os bálticos, a Polónia e a Alemanha, mas também os outros”, sublinhou, acrescentando que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, “espera anúncios não apenas em termos percentuais, mas encomendas reais e contratos reais”.Braze referiu-se igualmente à crise desencadeada no seu país por dois drones ucranianos desviados pela Rússia, que atingiram uma infraestrutura energética sem serem detetados, situação que levou à rutura da coligação governamental e à demissão, na quinta-feira, da primeira-ministra Evika Silina.“Houve algumas falhas da nossa parte”, reconheceu, mas indicou que a Letónia está em contacto com a Ucrânia e reclamou igualmente junto da Rússia para que “pare com a propaganda" de que o país báltico está a permitir a Kiev utilizar o seu espaço aéreo.Os drones encontravam-se no espaço aéreo russo e foram desviados através de medidas de guerra eletrónica, disse a ministra, sublinhando que “a culpa foi dos russos”. .Durão Barroso diz que Europa deve preparar-se para guerra com Rússia. "Se a Polónia for atacada, Portugal tem o dever de ajudar".Estudo da OCDE. Europeus "não podem contrair mais dívida" por causa do investimento em defesa