Esperadas entre 500 a 700 mil pessoas nas ruas em dia de greve em França. Mobilizados 70 mil polícias
EPA/MOHAMMED BADRA

Esperadas entre 500 a 700 mil pessoas nas ruas em dia de greve em França. Mobilizados 70 mil polícias

Estão marcadas manifestações em dia de greve, convocada por cinco organizações sindicais, o que deverá provocar forte impacto nos serviços públicos, sobretudo nos transportes e na educação.
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Prevê-se que esta quinta-feira, 5 de novembro, seja um dia de forte contestação social em França, sendo esperados entre 500 e 700 mil manifestantes nas ruas, segundo relatórios da Direção Nacional dos Serviços Secretos Territoriais (DNRT, na sigla em francês), um serviço de informações francês ligado à Polícia Nacional. Isto num dia de greve, convocada por cinco organizações sindicais - CFDT, CGT, Force Ouvrière, UNSA e FSU - contra o aumento do custo de vida e em defesa dos serviços públicos, nomeadamente nos setores da educação e da saúde.

"Prevê-se uma participação tão grande quanto elevado é o risco de ocorrerem distúrbios que alterem a ordem pública", alertou esta semana um relatório da DNRT, citado pela imprensa francesa.

Marylise Leon, líder da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT) disse esperar, no entanto, uma participação de "800 mil pessoas", referindo-se a vários setores da sociedade. "Seria uma grande satisfação", disse a responsável à BFM TV.

"Há muita raiva e esta provém da sensação (que os franceses têm) de não serem ouvidos nem tidos em conta", afirmou a sindicalista, afirmando que "viver com dignidade a partir do nosso trabalho" é o lema desta greve geral.

A secretária-geral da Confederação-Geral dos Trabalhadores (CGT), Sophie Bin, indicou que há "260 manifestações em toda a França" marcadas para esta quinta-feira, apelando à participação de todos. "Precisamos ser numerosos para sermos ouvidos. Todos aqueles que estarão em greve devem manifestar-se", defendeu.

Ministro alerta para o "risco de violência"

Para este dia, o esquema de segurança previsto pelas autoridades é o mesmo que foi aplicado nos protestos do último sábado. Estão mobilizados cerca de 70 mil agentes, tendo sido detetado "risco de violência" nas várias ações de protesto por melhores salários e melhores condições de vida.

"Os serviços secretos detetaram que existem movimentos de ultraesquerda (mais extremistas que a esquerda radical) que pretendem participar nas manifestações sindicais para incitar à violência, com o objetivo de atacar estabelecimentos comerciais", afirmou na quarta-feira, 4, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, em conferência de imprensa.

"Estamos decididos a manter a ordem pública, tal como fizemos nos dois últimos sábados. O dia de amanhã (quinta-feira) é importante para os sindicatos e deve decorrer com tranquilidade. Caso contrário, agiremos com contundência", advertiu o governante.

Nuñez indicou que, através das redes sociais, foram detetados apelos para "a prática de atos violentos e a insurreição", o que levou as autoridades a repetir a mobilização, embora o cenário desta quinta-feira apresente características distintas.

Enumerou três ameaças: confrontos com a polícia, manifestações descontroladas e ataques a estabelecimentos comerciais e edifícios públicos.

Devido ao risco de infiltração de grupos violentos nas manifestações sindicais, o Governo impediu que estas ocorressem em locais sensíveis ou no centro das cidades, o que foi contestado pelas organizações que estão a promover os protestos.

Afirmou que, na maioria dos casos, foram alcançados acordos, mas em algumas cidades isso não foi possível. É o que acontece na capital, Paris, em que o ministro não atendeu aos sindicatos que queriam que a manifestação partisse da Praça da Bastilha em direção à Praça da Concórdia. O Governo mostrou-se contra, por se tratar de uma zona próxima de "centros de poder", como o Palácio do Eliseu ou a Assembleia Nacional.

Desta forma, o Comando de Polícia de Paris determinou que a manifestação percorrerá o trajeto entre a Praça da República e a Praça da Nação.

A secretária-geral da CFDT criticou as restrições ao direito de manifestação, classificando-as como inaceitáveis.

A greve geral deverá ter um forte impacto nos serviços públicos, sendo esperadas perturbações no funcionamento dos transportes ferroviários, no setor da saúde e educação.