O Sumar, parceiro de coligação do PSOE no governo, já não esconde o seu incómodo com a sucessão de escândalos e investigações a envolver figuras socialistas, desde o ex-primeiro-ministro José Luis Zapatero às buscas desta quarta-feira à sede do partido por causa de uma alegada trama (que envolve antigos e atuais dirigentes) criada para “desestabilizar de forma sistemática” as ações judiciais que afetam o PSOE e o governo.“Isto é demasiado grave. A política não é a vergonha que testemunhamos diariamente no nosso país, independentemente da sua origem. A política não se resume a antigos primeiros-ministros, sejam eles quem forem, a fazer o que, alegadamente, parece que todos fazem”, disse esta quinta-feira, 28 de maio, a vice-presidente do governo e ex-líder do Sumar, Yolanda Díaz. O ministro da Cultura e porta-voz do Sumar, Ernest Urtasun, exigiu que os socialistas deem mais explicações sobre a nova investigação. “As novas informações são graves e acredito sinceramente que o PSOE precisa de estar ciente de que deve fornecer mais explicações”, disse Urtasun à TVE. Mesmo assim, este dirigente do Sumar defendeu que está em curso uma operação para “deitar abaixo” o governo e que uma governação de direita não resolverá “nada”. O Junts, através do deputado Josep Maria Cruset, exigiu que Sánchez explique no Congresso os processos que o envolvem, classificando-os como uma situação “absolutamente excecional” e muito grave, tendo ainda afirmado que o PSOE está “apavorado” com a possibilidade de eleições antecipadas - algo que o primeiro-ministro rejeitou na quarta-feira. Respondendo aos apelos de esclarecimentos, Sánchez solicitou esta quinta-feira comparecer no Congresso para abordar os escândalos do PSOE, pretendendo usar a ida que já tinha agendada para falar sobre o Conselho Europeu de junho.O líder do Partido Nacionalista Basco (PNV), Aitor Esteban, que apoia o governo do Congresso, repetiu esta quinta-feira o que já tinha dito há dias - “a legislatura chegou ao fim” e o “interesse geral” exige a convocação de eleições ainda este ano -, mas garantiu que não estão a considerar avançar ou apoiar uma moção de censura. Esta quinta-feira voltou a ser notícia outra dor de cabeça judicial de Sánchez, com o início do julgamento do seu irmão (e outras 10 pessoas) por alegadas irregularidades na criação e atribuição a David Sánchez, em 2017, de um alto cargo Conselho Provincial de Badajoz. Este primeiro dia ficou marcado por uma boa notícia para o irmão do líder socialista - que enfrenta uma pena de três anos de prisão - ao ver o Ministério Público pedir que se lhe seja retirada uma das acusações..Espanha. PP aprova moção contra o governo em dia de buscas na sede do PSOE.Acusação contra Zapatero é mais uma dor de cabeça para Sánchez