A mensagem de apoio de um dos ídolos de Abelardo de la Espriella chegou na noite de quarta-feira (17 de junho). O presidente dos EUA, Donald Trump, apelidou o candidato presidencial colombiano de extrema-direita de “líder inteligente, forte e determinado”, escrevendo na Truth Social ser “uma honra” conceder-lhe o apoio “total e irrestrito”. Não foi o único: o argentino Javier Milei telefonou a El Tigre (como é conhecido) e disse no X que “as forças da liberdade na região” o estão a “observar e apoiar”. Depois de ter surpreendido com a vitória na primeira volta, quando nenhuma sondagem o previa, De la Espriella é o grande favorito à vitória na segunda volta, no próximo domingo. O candidato do Defensores da Pátria surge com 54% de intenções de voto, contra 46% do rival da coligação de esquerda Pacto Histórico. Iván Cepeda é apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro e era o favorito na primeira volta, que se realizou a 31 de maio. .Em plena onda de violência, quase 42 milhões de eleitores são chamados às urnas para decidir se a Colômbia vira à direita ou se mantém o atual caminho, após um único mandato de Petro (a reeleição não é permitida). O antigo guerrilheiro fez história quando foi eleito em 2022, tornando-se no primeiro presidente de esquerda do país. Apesar do arrefecimento económico, do falhanço do plano de “paz total” (com o ressurgimento da violência) e dos escândalos de corrupção à sua volta, Petro conseguiu recuperar alguma popularidade no último ano, após a aprovação da reforma laboral e das pensões.Mas isso não deverá ser suficiente para eleger Cepeda, apesar de as sondagens o terem dado como favorito na primeira volta e de a esquerda ter vencido as eleições legislativas de março.O candidato, de 63 anos, propõe aumentar os impostos aos mais ricos (o que lhe custa o apoio dos investidores, dos empresários ou dos conservadores), permitindo aumentar os rendimentos dos pobres e idosos. Mas, procurando suavizar a linguagem na reta final da campanha, também disse querer consenso político para as reformas ou para eventuais mudanças na Constituição.El Tigre, de 47 anos, apresentou-se às eleições presidenciais como um anti-Petro e um outsider, nunca tendo antes disputado umas eleições. O advogado milionário, que fez campanha protegido por colete e vidro à prova de bala, defende enfrentar as guerrilhas e narcotraficantes com mão de ferro - planeando a construção de megaprisões ao estilo da construída por outro dos seus ídolos, o presidente salvadorenho Nayib Bukele (cujo estilo de barba até imita). “Como presidente, Abelardo terá um enorme sucesso em conduzir a Colômbia ao crescimento económico, à criação de emprego, à promoção do comércio, ao combate à imigração ilegal, à repressão do crime e da droga e à restauração da lei e da ordem!”, escreveu Trump na sua mensagem, onde insta os colombianos a votarem em El Tigre. .“Os resultados desta eleição são cruciais para o futuro da Colômbia e para a sua relação com os EUA, que, caso Abelardo vença, e devido à sua competência e amor pelo país, terá o total apoio e força dos EUA”, acrescentou o presidente norte-americano, que no passado entrou em choque com Petro. De la Espriella agradeceu o apoio de Trump. “A liberdade nas Américas precisa de uma liderança forte, decisiva, independente, corajosa e patriótica”, escreveu no X.. “Juntos lutaremos contra o crime transnacional, contra a esquerda radical, e faremos com que os povos da Colômbia e dos EUA se unam nos valores da liberdade, da grandeza e da legalidade”, acrescentou, dizendo que Trump é uma “inspiração” para todos aqueles que querem “mudar a política para sempre”. El Tigre deve a sua alcunha ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (de quem tinha sido advogado num dos vários processos judiciais). Uribe, do Centro Democrático, disse que ia apresentar “um tigre” ou “uma tigresa” para concorrer às presidenciais - a escolhida foi Paloma Valencia, terceira na primeira volta, apesar de nem ter chegado aos 7% dos votos (Cepeda teve 40,9 % e De la Espriella 43,7%). A alcunha acabou, contudo, por ser apropriada pelo candidato da extrema-direita. Tanto Uribe como Valencia declararam o seu voto na segunda volta em El Tigre, para que a Colômbia não se torne “numa sucursal do chavismo” ou tenha um presidente “apoiado pelos grupos terroristas”. Por ter tido um papel chave na negociação do acordo de paz com as FARC, Cepeda é muitas vezes acusado de ter ligações à guerrilha. Mas a relação do candidato de esquerda com Uribe nunca foi boa. O senador apresentou provas da ligação do ex-presidente aos grupos paramilitares, o que resultou na condenação a 12 anos de prisão (revogada em recurso). .‘El Tigre’ surpreende a esquerda ao vencer a 1.º volta na Colômbia. Segunda volta é a 21 de junho.P&R: O filósofo de esquerda, ‘El Tigre’ ou a neta do antigo presidente. Quem vai suceder a Petro na Colômbia?