Dois casos confirmados e cinco suspeitos de hantavírus a bordo do cruzeiro parado à entrada do porto da Praia
EPA/ELTON MONTEIRO

Dois casos confirmados e cinco suspeitos de hantavírus a bordo do cruzeiro parado à entrada do porto da Praia

Cerca de 150 pessoas ainda estão retidas no Hondius, incluindo um português que faz parte da tripulação. Três pessoas morreram, uma está em estado crítico e outras três têm sintomas ligeiros.
Publicado a
Atualizado a

Há dois casos confirmados e outros sete suspeitos da síndrome respiratória aguda hantavírus entre as pessoas que seguiam a bordo de um navio de cruzeiro de luxo agora retido à entrada do porto da Praia, em Cabo Verde, informou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Cerca de 150 pessoas ainda estão retidas no Hondius, que transporta sobretudo passageiros britânicos, americanos e espanhóis numa viagem que partiu da Argentina em março e que está agora na costa da África Ocidental.

Na segunda-feira, 4 de maio, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou à Lusa que há um cidadão português a bordo, tratando-se de um membro da tripulação que, até ao momento, não requereu nenhum pedido de ajuda diplomática.

Dois casos confirmados e cinco suspeitos de hantavírus a bordo do cruzeiro parado à entrada do porto da Praia
MNE confirma que há um cidadão português a bordo do cruzeiro em que já morreram três pessoas

Os sete casos confirmados ou suspeitos incluem três pessoas que morreram, uma que está em estado crítico e três com sintomas ligeiros, informou a OMS num comunicado divulgado na noite desta segunda-feira.

As três vítimas mortais são um casal holandês e um cidadão alemão. Um cidadão britânico foi evacuado do navio na ilha de Ascensão e está a ser tratado na África do Sul, anunciaram as autoridades.

Dois casos confirmados e cinco suspeitos de hantavírus a bordo do cruzeiro parado à entrada do porto da Praia
Três mortos ligados a foco de síndrome respiratória aguda num cruzeiro. Há mais três casos suspeitos

"O ambiente a bordo do Hondius mantém-se calmo, com os passageiros geralmente tranquilos", disse a operadora do navio, a Oceanwide Expeditions, num comunicado divulgado na noite de segunda-feira.

A empresa adiantou estar a trabalhar para que os passageiros fossem examinados e desembarcados, e que ponderava navegar até às ilhas espanholas de Las Palmas ou Tenerife.

A agência de saúde da ONU reiterou o seu alerta de que o risco para o público em geral era baixo, considerando que a doença é normalmente transmitida por roedores infetados e raramente passa de pessoa para pessoa.

Porém, Cabo Verde solicitou que o navio permanecesse no mar por precaução.

O primeiro passageiro infetado, um holandês, morreu a 11 de abril, quando o navio navegava em direção a Tristão da Cunha. O corpo permaneceu a bordo até 24 de abril, quando "foi desembarcado em Santa Helena, com a mulher dele a acompanhar o repatriamento", informou a Oceanwide Expeditions.

Três dias depois, a própria mulher também adoeceu, acabando por morrer, enquanto outro passageiro, um britânico, ficou "gravemente doente e foi evacuado para a África do Sul por motivos médicos".

As autoridades sul-africanas confirmaram que o paciente britânico, que está a ser tratado num hospital de Joanesburgo, testou positivo para o hantavírus. Entretanto, os Países Baixos confirmaram a presença do vírus na mulher holandesa que morreu.

No sábado, 2 de maio, um passageiro de nacionalidade alemã também morreu, mas a causa da morte ainda não foi apurada. Em declarações à Associated Press (AP), a Oceanwide Expeditions informou que o corpo da terceira vítima ainda se encontrava a bordo do navio e que a sua prioridade era garantir que os tripulantes que estão doentes recebiam assistência médica.

O cruzeiro Hondius, de bandeira holandesa, entrou em águas cabo-verdianas no domingo, após notificação internacional de doença respiratória a bordo.

A embarcação transporta 147 pessoas, entre passageiros e tripulação, de 23 nacionalidades.

O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, tendo realizado paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Diário de Notícias
www.dn.pt