Milhões de pessoas manifestaram-se este sábado em várias cidades dos Estados Unidos, e não só, contra o Presidente Donald Trump, numa nova vaga de protestos sob o lema “No Kings”, que os organizadores esperavam conseguir tornar na maior mobilização de um só dia na história do país.Segundo a Reuters, estavam planeados mais de 3.200 eventos nos 50 estados norte-americanos, bem como em várias cidades fora dos EUA, numa demonstração de descontentamento crescente face às políticas da administração Trump.Protestos espalham-se para além das grandes cidadesAs manifestações decorreram em grandes centros urbanos como Nova Iorque, Los Angeles e Washington, D.C., mas também em comunidades mais pequenas, uma expansão que os organizadores consideram significativa.“A história que define a mobilização deste sábado não é apenas quantas pessoas estão a protestar, mas onde estão a protestar”, afirmou à agência Reuters Leah Greenberg, cofundadora do movimento Indivisible.Várias figuras públicas juntaram-se aos protestos, como o ator Robert De Niro, que foi particularmente crítico em relação a Trump numa manifestação em Manhattan (Nova Iorque): “Houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais do seu poder, mas nenhum representou uma ameaça tão existencial às nossas liberdades e segurança”.Também os músicos Bruce Springsteen e Joan Baez participaram num grande comício no Minnesota, estado que nos últimos meses ficou marcado por incidentes graves com a atuação da agência anti-imigração ICE.Críticas à guerra com o Irão e à situação económicaEntre os manifestantes, o descontentamento com o envolvimento militar dos EUA no conflito com o Irão foi um dos temas centrais. “Ninguém nos está a atacar. Não precisamos de estar lá”, disse Morgan Taylor, presente no protesto em Washington, à Reuters.Já John Ale, natural da Virgínia, também citado pela agência, criticou a situação interna do país: “O que está a acontecer neste país é insustentável”, disse, acrescentando que “a classe média, as pessoas comuns, já não conseguem pagar para viver. E ele (Trump) está quebrar as normas, as coisas que nos faziam funcionar como país."Os protestos surgem num momento de queda de popularidade de Trump - que obteve apenas 36% de taxa de aprovação na mais recente sondagem da Reuters, o resultado mais baixo desde a reeleição - e a poucos meses das eleições intercalares. Do lado republicano, as manifestações foram alvo de críticas. Um porta-voz classificou-as como: “Estes protestos de ‘ódio à América’ são o palco onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema-esquerda ganham voz”.Ainda assim, os organizadores sublinham o crescimento do movimento desde o seu lançamento em 2025, destacando o aumento da mobilização em estados tradicionalmente conservadores..Porto também teve manifestação de americanos residentes no Norte de Portugal Cerca de duas centenas de cidadãos norte-americanos residentes na região Norte de Portugal, integrados num movimento internacional, manifestaram-se em frente à Câmara do Porto para contestar as políticas da administração de Donald Trump.“Nós estamos contra essas políticas do governo atual, tanto no exterior como no interior. E sobretudo contra a guerra que está a acontecer no Médio Oriente. Essa guerra foi só por ordem de Trump, não estava autorizada pelo Congresso. A Constituição diz que qualquer reação bélica tem de ser aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos”, disse à agência Lusa Robert Glassburner, residente em Portugal desde 1983 e que integra atualmente a Orquestra Sinfónica da Casa da Música.com agências