Tom Homan durante a conferência de imprensa, em Minneapolis.
Tom Homan durante a conferência de imprensa, em Minneapolis.EPA/CRAIG LASSIG

'Czar' das fronteiras: "O presidente Trump quer que isto seja resolvido e eu vou resolver"

Tom Homan, que chegou na segunda-feira (26 de janeiro) ao Minnesota depois de um segundo norte-americano ser morto pelo ICE, disse que está a ser preparado um "plano de redução" de efetivos.
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O czar das fronteiras de Donald Trump, Tom Homan, insistiu esta quinta-feira (29 de janeiro) que "jurisdições que recusam colaborar com os serviços de imigração são santuários para os criminosos e põem em perigo a comunidade".

Trump enviou Homan para o Minnesota na segunda-feira (26 de janeiro) depois da morte de um segundo cidadão norte-americano por parte dos agentes do ICE (sigla em inglês dos Serviços de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA).

"O presidente Trump quer que isto seja resolvido e eu vou resolver", afirmou, deixando claro que não haverá uma "rendição" da parte das autoridades federais.

"Fizemos muitos progressos nos últimos três dias", disse Homan numa conferência de imprensa. "Vou ficar até o problema acabar", insistiu, deixando claro que tem "tolerância zero" para ataques contra agentes do ICE.

“A retórica hostil e as ameaças perigosas têm de parar”, disse Homan. “Eu disse em março que, se a retórica não parasse, haveria derramamento de sangue. Gostaria de estar enganado", disse. "Se querem que certas leis sejam reformadas, levem isto ao Congresso."

Protesto contra o ICE no Minnesota.
Protesto contra o ICE no Minnesota.EPA/WILL OLIVER

Homan, que disse ter tido reuniões com as autoridades locais, deixou claro que o ICE - que insistiu ser uma agência com um mandato do Congresso - vai continuar a realizar "operações de fiscalização direcionadas e estratégicas" contra imigrantes ilegais.

Sobre as reuniões com o governador Tim Walz ou o presidente da câmara de Minneapolis, Jacob Frey, deixou claro que "não concordámos com tudo", mas que "também não esperava que concordássemos".

“Ouvi muitas pessoas a quererem saber porque é que estamos a falar com pessoas que não consideram amigas do governo. A questão é que não se resolvem problemas sem diálogo”, acrescentou Homan.

O czar das fronteiras de Trump não referiu diretamente a morte de dois cidadãos norte-americanos, atingidos a tiro pelos agentes do ICE, mas admitiu que está a desenhar-se um plano para reduzir a presença do efetivo no Minnesota (cerca de três mil agentes estão no estado), mas isso parece estar condicionado à colaboração das autoridades.

“Não quero ouvir que ‘tudo o que foi feito aqui foi perfeito’", indicou Homan, explicando que embora nenhuma “agência seja perfeita”, não veio a Minneapolis para gerar “manchetes”.

O aumento da fiscalização federal da imigração “vai melhorar por causa das mudanças que estamos a implementar”, afirmou.

Homan disse que o procurador-geral do Minnesota, Keith Ellison, aceitou que as prisões locais notifiquem o ICE das datas de libertação de imigrantes ilegais considerados “riscos para a segurança pública”, para que o ICE os possa levar.

Esta quinta-feira (29 de janeiro) vieram entretanto a público novos vídeos que mostram Alex Pretti, o enfermeiro de 37 anos que foi morto pelo ICE, noutro confronto com os agentes 11 dias antes.

No vídeo, publicado pelo site The News Movement, vê-se Pretti a gritar contra agentes num carro descaracterizado, pontapeando as luzes traseiras do veículo.

Um agente sai do carro e rapidamente Pretti é lançado para o chão e fica rodeado de agentes. Ele consegue entretanto fugir (ou deixam-no fugir), ficando sem casaco, sendo depois visível mais à frente das imagens a arma que tinha atrás das costas, à cintura (e na qual nunca mexeu durante o confronto).

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Como o estado do Minnesota se tornou o epicentro da ação do ICE?

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