Os protestos nas ruas da Bolívia duram há quase três semanas, os EUA denunciam uma “tentativa de golpe de Estado” e avisam que não vão deixar que o presidente Rodrigo Paz seja derrubado e, no meio desta crise, o país ainda está em pleno choque diplomático com a Colômbia. Para tentar resolver pelo menos a contestação social, o presidente anunciou ontem uma remodelação do governo e a criação de um grupo de diálogo com os manifestantes. Os problemas começaram no início do mês, com protestos relacionados com reivindicações salariais, a rejeição da reforma agrária e inúmeras privatizações. Mas transformaram-se numa crise política profunda, com escassez de alimentos básicos devido aos bloqueios, e com pedidos de demissão de Rodrigo Paz, que assumiu o poder há apenas seis meses. Os protestos, concentrados na capital La Paz e em El Alto (bastião do ex-presidente Evo Morales, alvo de um mandado de captura), degeneraram em violência.“Que não haja dúvida: os EUA apoiam sem reservas o governo constitucional legítimo da Bolívia”, disse o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nas redes sociais. “Não deixaremos que criminosos e narcotraficantes derrubem líderes eleitos democraticamente no nosso hemisfério”, acrescentou.A sumar-se a isto, o choque diplomático com a Colômbia, depois de a Bolívia expulsar o embaixador colombiano (Bogotá respondeu na mesma moeda). Em causa declarações consideradas “intervencionistas” do presidente Gustavo Petro, que descreveu os protestos como uma “insurreição popular” e afirmou que na Bolívia “há pessoas nas ruas a serem mortas”..Segunda volta à direita na Bolívia põe fim a 20 anos do socialismo de Morales