Coreia do Norte enfrenta "grave seca" em "grande parte do território"

Coreia do Norte enfrenta "grave seca" em "grande parte do território"

"Uma seca invulgar persiste desde há pouco em grande parte do território, um fenómeno raramente observado nos anos anteriores", indicou a agência de notícias KCNA.
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A Coreia do Norte enfrenta este ano "uma seca invulgar" e grave "em grande parte" do país, informou esta quinta-feira, 30 de abril, a agência de notícias oficial KCNA.

"Uma seca invulgar persiste desde há pouco em grande parte do território, um fenómeno raramente observado nos anos anteriores", indicou a agência de notícias.

As catástrofes naturais têm geralmente um impacto ainda maior neste país isolado, uma vez que as infraestruturas e economia são frágeis.

"Os trabalhadores de diferentes regiões estão a concentrar todos os seus esforços na proteção das culturas do início da época contra a seca", acrescentou.

A relatora especial das Nações Unidas para os direitos humanos na Coreia do Norte, Elizabeth Salmon, declarou em fevereiro que a escassez alimentar já constituía uma grande preocupação no país.

"As cidades e regiões estão a proceder de forma responsável à reparação das comportas dos reservatórios e cursos de água, tendo em conta a redução do abastecimento de água causada pela grave seca", detalhou a KCNA.

Estão também a ser implementadas "medidas técnicas destinadas a minimizar os danos causados pela seca", reforçando a resistência à seca do trigo e da cevada e tentando assegurar um crescimento estável das culturas no início da época, acrescenta a agência.

A Coreia do Sul registou o verão mais quente de sempre em 2025. Tanto o Norte como o Sul tiveram também o mês de junho mais quente de sempre.

Ainda no que diz respeito à Coreia do Sul, o país sofreu uma seca prolongada no ano passado que afetou, nomeadamente, a cidade costeira de Gangneung (este). Durante esse período, as autoridades decidiram impor restrições de água, nomeadamente cortando 75% do abastecimento doméstico em toda a cidade.

As alterações climáticas tornam as ondas de calor mais frequentes e intensas, e os especialistas estimam que o fenómeno climático El Niño deverá regressar este ano.

Este fenómeno pode provocar um aumento das temperaturas à superfície e secas, nomeadamente no centro e no leste do Pacífico equatorial.

A Coreia do Norte sofre há muito tempo de escassez de eletricidade e, segundo os especialistas, a maioria dos habitantes não dispõe de ar condicionado.

O país foi atingido por graves inundações nas regiões no norte, próximas da China em 2024, tendo os meios de comunicação sul-coreanos relatado um número de mortos e desaparecidos no Norte que poderia chegar às 1.500 pessoas, estimativas então rejeitadas por Pyongyang.

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