Coreia do Norte avisa adversários para abandonarem “ilusões” sobre desnuclearização
O vice-ministro da Defesa norte-coreano, Kim Kang Il, pediu esta quinta-feira, 17 de setembro, em Pequim, aos adversários da Coreia do Norte que abandonem as "ilusões" sobre a desnuclearização do país, afirmando que o estatuto nuclear, consagrado na Constituição, é uma "linha vermelha".
Kim interveio numa sessão plenária do Fórum Xiangshan sobre os riscos e desafios para a segurança na Ásia-Pacífico, na qual centrou o discurso na península coreana e atribuiu a escalada regional à política "hostil" dos Estados Unidos e dos seus aliados em relação a Pyongyang.
O responsável norte-coreano acusou Washington e os seus "seguidores" de realizarem exercícios militares baseados no eventual uso de armas nucleares e de ampliarem os preparativos para uma guerra nuclear na região.
Ele afirmou ainda que Japão e Coreia do Sul, com a "conivência" e o "incentivo" dos Estados Unidos, "prosseguem ativamente uma expansão militar imprudente destinada à aquisição de armas nucleares", e sustentou que a cooperação militar trilateral entre Washington, Tóquio e Seul está a transformar-se numa "aliança nuclear".
Kim afirmou que a política nuclear norte-coreana responde a ameaças "atuais e futuras" e advertiu que Pyongyang continuará a ampliar e reforçar a capacidade de dissuasão nuclear caso se intensifiquem as ameaças dos seus adversários.
A intervenção decorreu em Pequim, principal aliado político e económico da Coreia do Norte, num momento de intensificação dos contactos bilaterais após a visita que o Presidente chinês, Xi Jinping, realizou em junho a Pyongyang, a primeira em sete anos.
Durante a visita, Pequim e Pyongyang acordaram abrir um "novo capítulo" nas relações bilaterais e a China propôs reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte, uma formulação que Seul classificou como inédita.
Os comunicados chineses e norte-coreanos divulgados após os mais recentes contactos de alto nível não fizeram referência à desnuclearização, apesar de a China defender tradicionalmente esse objetivo para a península coreana.

