Copiloto que tentou fazer avião despenhar-se tinha sido proibido de voar por alegadas visões extremistas
O copiloto que terá agredido um piloto durante um voo e que tentou fazer despenhar a aeronave na quarta-feira perto de Telavive tinha sido proibido de voar pela companhia aérea do seu país, foi revelado este sábado, 03 de outubro. Em causa estariam preocupações com as suas visões extremistas, escreve a agência internacional Associated Press, citando três pessoas com conhecimento da situação que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.
Os Emirados Árabes Unidos, que lideram a investigação, disseram que o copiloto, natural de Omã, atacou o piloto com o machado de emergência da cabine de comando e tentou assumir o controlo do avião em queda livre num “ataque terrorista”. As suas ações quase provocaram a queda da aeronave com 182 pessoas a bordo, antes de passageiros e outras pessoas intervieram e imobilizarem o copiloto.
Os novos pormenores levantaram questões sobre o rigor da seleção de potenciais colaboradores pela FlyDubai e sobre a forma como a presença do copiloto num voo lotado de passageiros israelitas passou pelos rígidos protocolos de segurança de Israel.
Israel afirmou ter acordos com companhias aéreas estrangeiras para impedir que pilotos de países sem relações diplomáticas voem para lá. Israel e Omã não mantêm relações diplomáticas formais.
O governo dos Emirados Árabes Unidos, que tem reputação pelas suas medidas eficazes contra atividades extremistas, já se mostrou desconfortável com as críticas às falhas de segurança.
O incidente ocorreu num momento delicado para Israel, uma semana antes do aniversário do ataque liderado pelo Hamas, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Também ocorreu semanas antes de uma eleição controversa, na qual a segurança, e as falhas de segurança de 7 de outubro, são questões centrais.
A FlyDubai contratou o copiloto depois de a Oman Air o ter proibido de voar. Noutra declaração, um funcionário regional e uma pessoa familiarizada com o assunto disseram que o copiloto foi proibido de voar por Omã devido a preocupações de que tivesse adotado visões extremistas.
O funcionário disse que foi transferido para um cargo administrativo na Oman Air. O copiloto terá sido posteriormente contratado pela companhia aérea FlyDubai, sediada nos Emirados Árabes Unidos, segundo a fonte. Não ficou imediatamente claro até que ponto o copiloto foi investigado.
Um diplomata do Golfo afirmou que foi submetido a verificações de segurança antes de ser contratado, mas as verificações ter-se-ão concentraram em saber se tinha sido condenado por crimes e não foi aprofundado o seu historial sobre possíveis sinais de radicalização.
O diplomata do Golfo acrescentou que as investigações estavam a tentar estabelecer se o copiloto agiu sozinho ou se “tem alguma ligação com grupos extremistas”. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na sexta-feira que o copiloto tinha sofrido “radicalização islâmica”, mas não apresentou provas.
Num comunicado enviado à Associated Press, a Royal Air Maroc, companhia aérea nacional de Marrocos, disse que o copiloto “concluiu um período de formação teórica de três meses com a companhia aérea em 2025, como parte do processo de pré-contratação”. “No final desse período de formação, a sua candidatura não foi selecionada para emprego”, acrescentou.
Já o porta-voz da Buckinghamshire New University, em Inglaterra, Keith Coles, disse à Associated Press que al-Hammami tinha concluído um curso de gestão de aviação à distância na instituição, mas “não realizou qualquer formação de piloto”. O comandante e os passageiros descreveram momentos dramáticos a bordo. As companhias aéreas são geralmente obrigadas a manter machados de emergência na cabine de comando, que podem ser utilizados em caso de emergência.
O comandante, que ficou gravemente ferido, disse que usou as suas últimas energias enquanto era atacado para destrancar a porta da cabine de comando, permitindo que as pessoas que tinham notado sons alarmantes entrassem, imobilizassem o copiloto e estabilizassem o voo enquanto os passageiros gritavam.
O voo em causa transportava 182 pessoas do Dubai para Telavive, foi desviado para Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, para uma aterragem de emergência.

