O presidente dos Estados Unidos lançou esta quinta-feira, 22 de janeiro, em Davos o seu Conselho de Paz, organismo criado inicialmente para supervisionar o processo de cessar-fogo em Gaza, mas que Donald Trump agora quer que tenha um papel mais abrangente, mas garantindo que trabalhará em colaboração com as Nações Unidas, organização que critica regularmente.“Assim que este conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E vamos fazê-lo em conjunto com as Nações Unidas”, afirmou o líder norte-americano, referindo que a ONU tem um potencial que ainda não foi totalmente aproveitado. O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou, através de um porta-voz, que o Conselho de Paz criado por Washington para Gaza é, por enquanto, “amorfo”, enfatizando que o apoio ao órgão é “estritamente” pelo trabalho no enclave, como foi decidido pelo Conselho de Segurança. No dia anterior, Trump havia garantido que “temos muitas pessoas excelentes que querem participar” na composição deste organismo, dizendo que “será o conselho mais prestigiado alguma vez formado”. Ontem falava em querer ao seu lado “toda a gente” que tivesse poder, referindo que “tenho algumas pessoas controversas. Mas são pessoas que fazem o trabalho. São pessoas que têm uma influência enorme.”Mas a verdade é que a desconfiança quanto à composição e mandato deste Conselho de Paz levaram a que muitos aliados dos Estados Unidos tenham optado, pelo menos para já, a não se juntarem a esta iniciativa - uma fonte da Casa Branca afirmou que cerca de 35 países deveriam integrar o conselho, sem fornecer detalhes, e que cerca de 60 tinham sido convidados.Olhando, por exemplo, para os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, apenas os Estados Unidos fazem parte deste novo conselho. Trump anunciou a entrada da Rússia, mas Vladimir Putin referiu na quarta-feira à noite estar disposto a pagar mil milhões de dólares - o valor que alegadamente garante um lugar permanente - usando ativos congelados russos nos Estados Unidos para reconstruir a Palestina, após um acordo de paz com a Ucrânia, mas que o seu Ministério dos Negócios Estrangeiros russo ainda está a estudar a proposta de adesão. A França recusou - o que levou Trump a ameaçar com tarifas de 200% sobre os vinhos e champanhe franceses como forma de pressão para fazer Emmanuel Macron mudar de ideias -, o Reino Unido declarou ontem que não participará neste momento, e a China manteve-se em silêncio.A maioria dos países da UE recusou o convite - como a França ou a Suécia - ou adiou a sua decisão, como a líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, ou a Itália de Giorgia Meloni, conhecida por ser uma grande aliada de Donald Trump. A primeira-ministra italiana explicou na quarta-feira que partes do estatuto do Conselho de Paz parecem incompatíveis com a constituição do país. Contas feitas, ao lado de Donald Trump estão potências regionais do Médio Oriente, como a Turquia, Israel, o Egito, a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e o Qatar, importantes nações emergentes como a Indonésia, além de países como a Argentina (governada pelo aliado Javier Milei), Paquistão, Bielorrússia, Vietname ou o Kosovo. Do lado da UE, apenas a Hungria, do aliado Viktor Orbán, e a Bulgária aceitaram o convite. E é da Bulgária que vem Nickolay Mladenov, antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, o nome escolhido para diretor-geral do Conselho de Paz (um plano B, depois do veto dos países árabes a Tony Blair). Jared Kushner, genro de Trump e que também fará parte deste Conselho de Paz, apresentou ainda um plano para a reconstrução da “Nova Gaza” - que inclui a construção de torres residenciais, centros de dados e resorts à beira-mar. No final da cerimónia em Davos, o presidente dos Estados Unidos descreveu o enclave como “esta bela propriedade”, sugerindo que o seu esforço pela paz entre Israel e o Hamas “começou com a localização”..Como é o mega-projeto imobiliário de 25 mil milhões para Gaza apresentado pelo genro de Trump em Davos.Conselho de Paz para Gaza ou Nações Unidas de Trump?