Stephen Colbert sobe esta quinta-feira (21 de maio) pela última vez ao palco do Teatro Ed Sullivan, em Nova Iorque, para o último episódio do satírico The Late Show. Onze anos depois de ter assumido o papel de anfitrião de David Letterman, que tinha criado o programa na CBS em 1993, o humorista de 62 anos despede-se com um episódio surpresa, não tendo sido revelado quem são os seus últimos convidados. A Paramount, dona da CBS, alegou que o cancelamento foi uma decisão “puramente financeira”, no meio de acusações de que Donald Trump teria sido o responsável.O presidente dos EUA foi sempre um alvo do humor de Colbert - que ainda no programa de terça-feira (19 de maio) apelidou o acordo que ele fez para ficar livre do IRS (junto com a família) de “cartão grátis para sair da prisão”, explicando que foi “melhor do que aquele que Jeffrey Esptein recebeu” (referindo-se ao falecido pedófilo). Trump festejou na Truth Social o anúncio, ainda em julho do ano passado, de que o programa ia ser cancelado. “Adorei que Colbert tenha sido despedido. O seu talento era ainda menor do que a sua audiência”, escreveu .Quando anunciaram o fim do The Late Show, os executivos da Paramount disseram que a decisão era “puramente financeira, num cenário desafiante para os talk shows noturnos”. Indicaram ainda que a demissão de Colbert “não tinha qualquer relação com o desempenho do programa, o conteúdo ou outros assuntos da Paramount”. Mas os defensores do programa não aceitaram esse argumento, falando em possíveis pressões da Administração - tal como aconteceu com Jimmy Kimmel, que teve o seu próprio programa na ABC suspenso em setembro..Kimmel regressa à TV, não esconde a emoção e critica Trump. "Ele fez tudo para cancelar o meu programa".Não só Colbert visava muitas vezes Trump, como dias antes de ser despedido, o humorista também tinha criticado a própria Paramount. A dona da CBS aceitou pagar 16 milhões de dólares (13,8 milhões de euros) a Trump como parte de um acordo judicial relacionado com o programa “60 Minutos”. Na altura, a Paramount estava a finalizar uma fusão milionária com a Skydance, que precisava da aprovação da Administração. Colbert falou num “grande e gordo suborno”.Na contagem decrescente para o fim do programa, quando questionado pela revista People sobre se temia eventuais repercussões de Trump, Colbert respondeu: “Não tenho medo que a Administração me faça alguma coisa. Somos palhaços”, afirmou, dizendo que o cargo da presidência só fica diminuído por repararem no que diz. “Aquele tipo precisa de aprender a escolher as suas batalhas, metafórica e literalmente”, acrescentou. Sobre o último programa, o humorista manteve o silêncio, dizendo apenas que será “algo simples” - os “adversários” Jimmy Kimmel e Jimmy Fallon anunciaram que não haverá programa novo na noite desta quinta-feira (21 de maio), repetindo um episódio antigo.Colbert admitiu que gostava de ter entrevistado o papa Leão XIV, que terá desafiado a participar, adiantando que não precisavam de falar de política. Será que conseguiu? Em relação ao futuro, Colbert revelou em várias entrevistas que pretende viajar com a família antes de abraçar o desafio de escrever o próximo filme da saga O Senhor dos Anéis (é conhecida a sua paixão pelos livros de Tolkien), colaborando com o filho Peter, o realizador Peter Jackson e a argumentista Philippa Boyens. .Trump e a guerra à arte