China e EUA acordam reforçar comunicação militar para reduzir riscos de conflito
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China e EUA acordam reforçar comunicação militar para reduzir riscos de conflito

Os representantes militares dos dois países discutiram ainda a criação de "canais adicionais" para assegurar uma gestão "eficaz" de crises e formas de comunicar de maneira "rápida e eficaz".
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Responsáveis militares da China e dos Estados Unidos acordaram reforçar os mecanismos de comunicação e gestão de crises para reduzir os riscos de conflito entre as duas potências, informou hoje o Pentágono, após uma reunião realizada em Washington.

O encontro, realizado na segunda e terça-feira, constituiu a primeira reunião de um grupo de trabalho sobre comunicação e prevenção de crises, criado na sequência de um entendimento alcançado em setembro entre os presidentes chinês, Xi Jinping, e norte-americano, Donald Trump.

As duas delegações concordaram quanto à importância de "promover medidas práticas de comunicação" para reduzir os riscos nas relações bilaterais, segundo um comunicado do Pentágono.

Os representantes militares discutiram ainda a criação de "canais adicionais" para assegurar uma gestão "eficaz" de crises e formas de comunicar de maneira "rápida e eficaz".

"O departamento da Guerra continuará a desenvolver conversações com o Exército de Libertação Popular sobre questões fundamentais de defesa nos próximos meses", indicou o Pentágono, sem divulgar pormenores sobre os mecanismos em discussão.

A delegação norte-americana foi representada por Cynthia Carras, responsável pela China, Taiwan e Mongólia no gabinete do subsecretário da Guerra para a Política, enquanto a delegação chinesa foi chefiada pelo coronel Wang Wei, vice-diretor do departamento para as Américas e Oceânia do gabinete de Cooperação Militar Internacional do Exército de Libertação Popular.

O encontro foi o primeiro desde que o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês anunciou, em 26 de setembro, um acordo entre Pequim e Washington para acelerar a conclusão de um memorando de entendimento sobre "comunicação e prevenção de crises".

O anúncio surgiu dois dias depois da visita de Estado de Xi Jinping a Washington, durante a qual o líder chinês se reuniu com Donald Trump.

Na ocasião, Xi defendeu que a chamada "armadilha de Tucídides", conceito que descreve o risco de conflito entre uma potência estabelecida e outra em ascensão, pode ser ultrapassada.

O Presidente chinês apelou também à manutenção de um diálogo regular entre as forças armadas dos dois países e ao aperfeiçoamento dos mecanismos de comunicação e prevenção de crises.

Embora Pequim e Washington já disponham de canais de contacto militar, o anúncio de setembro não esclareceu as características do novo mecanismo, que também não foi referido nos comunicados norte-americanos divulgados após a cimeira.

A prioridade atribuída à gestão de crises sugere que uma eventual confrontação em torno de Taiwan poderá constituir um dos principais focos do diálogo militar.

A China considera Taiwan parte do seu território e não exclui o recurso à força para assegurar a reunificação.

Os Estados Unidos não reconhecem Taiwan como um Estado independente, mas opõem-se a qualquer tentativa de alterar pela força o estatuto da ilha, à qual fornecem armamento.

Em agosto de 2022, Pequim suspendeu os canais de comunicação militar com Washington em protesto contra uma visita a Taiwan da então presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi.

Os dois países acordaram restabelecer os contactos em novembro de 2023, após uma reunião entre Xi Jinping e o então Presidente norte-americano, Joe Biden, em São Francisco, embora as comunicações tenham permanecido limitadas.

Os esforços para reforçar o diálogo militar prosseguiram durante o segundo mandato de Trump.

Em outubro de 2025, o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, reuniu-se com o homólogo chinês, Dong Jun, à margem de um encontro de ministros da Defesa da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia.

Os dois responsáveis concordaram em estabelecer canais de comunicação entre as forças armadas, compromisso posteriormente reiterado numa conversa telefónica.

Em agosto deste ano, o general chinês Yang Zhibin, comandante do Teatro de Operações Oriental, responsável pelas operações militares em torno de Taiwan, reuniu-se no Canadá com o almirante norte-americano Samuel Paparo, comandante do Comando do Indo-Pacífico.

Foi o primeiro encontro presencial entre os dois comandos militares em dois anos.

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