Embaixada da China no México
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China acusa Estados Unidos de alimentarem violência do narcotráfico no México

Embaixada chinesa manifestou o "profundo descontentamento" e "firme oposição" às declarações do embaixador dos EUA, que afirmou que a China beneficiaria de um México "caótico e inseguro".
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A embaixada da China no México acusou esta sexta-feira, 30 de outubro, os Estados Unidos de alimentarem a violência associada ao narcotráfico, através da procura de drogas e do tráfico de armas, rejeitando críticas do embaixador norte-americano a Pequim.

Num comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat, a representação diplomática chinesa manifestou o "profundo descontentamento" e "firme oposição" às declarações do embaixador norte-americano, Ronald Johnson, que afirmou que a China beneficiaria de um México "caótico e inseguro".

A embaixada acusou Johnson de ignorar os factos e de tentar semear a discórdia entre Pequim e a Cidade do México.

Segundo a representação diplomática, a procura de estupefacientes nos Estados Unidos proporciona um mercado e elevados lucros aos cartéis, enquanto as armas ilegais e o dinheiro do narcotráfico provenientes do território norte-americano alimentam a criminalidade violenta no México.

"Está realmente preocupado com o México ou está a tentar desviar as atenções e fugir às suas próprias responsabilidades?", questionou a embaixada.

A representação chinesa rejeitou também as acusações contra empresas do país asiático e criticou os responsáveis norte-americanos por desacreditarem estas companhias enquanto procuram oportunidades comerciais para empresas dos Estados Unidos nos setores da energia e do gás natural.

A embaixada chinesa ainda Washington de recorrer a meios políticos para excluir concorrentes, prejudicar o direito do México de escolher livremente os seus parceiros comerciais e tentar enfraquecer as relações entre Pequim e a Cidade do México.

As críticas surgem em resposta às declarações de Ronald Johnson durante a Conferência de Investidores Globais do Instituto Milken, realizada na quarta-feira.

Na ocasião, o diplomata afirmou que a China beneficiaria de um México inseguro e estaria disposta a apoiar empresas deficitárias para criar relações de dependência.

Johnson questionou também as intenções das empresas chinesas interessadas em operar no México e defendeu uma maior integração económica da América do Norte perante a concorrência chinesa.

A troca de acusações ocorre num contexto de tensões comerciais entre Washington e Pequim, que levaram empresas chinesas a procurar oportunidades de produção no México para se aproximarem do mercado norte-americano, uma estratégia que tem suscitado reservas nos Estados Unidos.