Manifestação em Lisboa reuniu milhares de pessoas. TIAGO PETINGA/LUSA
Manifestação em Lisboa reuniu milhares de pessoas. TIAGO PETINGA/LUSA

Cessar-fogo pedido em manifestações fora do horizonte

Pressão das multidões em dezenas de países, Portugal incluído, não aparenta traduzir-se numa mudança de rumo do governo israelita. Netanyahu disse que vai apresentar “orçamento de guerra” e afirmou que o conflito armado vai “demorar muitos meses”.
Publicado a
Atualizado a

Ao centésimo dia após os grupos armados do Hamas e da Jihad Islâmica terem lançado os ataques terroristas nos kibbutzim e no festival de música Nova, no sul de Israel, deixando um rasto de destruição e de horror com mais de 1100 mortos e mais de duas centenas de reféns, a resposta militar de Telavive está longe de chegar ao fim. Isso mesmo foi confirmado pelo primeiro-ministro israelita ao apresentar um “orçamento de guerra”.

Segundo as autoridades de saúde da Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islamista, o número de mortos no enclave é agora de 24 mil. A população deslocou-se na sua esmagadora maioria para sul, mas a sua insegurança mantém-se, o que levou o governo israelita a ter de defender-se, no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, das acusações de “atos genocidas”, apresentadas pela África do Sul. 

Depois de no sábado ter decorrido mais uma marcha em londres pela Palestina e pelo fim da guerra, Trafalgar Square recebeu simpatizantes de Israel. EPA/TOLGA AKMEN

As ruas de dezenas de países foram palco, ao longo do fim de semana para manifestações em defesa do fim da guerra e pelos direitos dos palestinianos, mas também, em menor número, de concentrações pró-israelitas e em solidariedade para com os reféns e respetivas famílias. Sobre os sequestrados, o porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Obeida, afirmou na TV que muitos reféns “foram provavelmente mortos recentemente e os outros estão em grande perigo”, no mesmo dia em que o grupo fez circular um vídeo com três reféns.

Manifestação pró-Palestina em frente à Casa Branca, no sábado. EPA/WILL OLIVER

Destaque para a manifestação à porta da Casa Branca, onde milhares de pessoas entoaram palavras de ordem a prometer que não se esqueceriam do apoio da administração Biden ao governo israelita no momento do voto. Houve até quem chamasse ao presidente democrata de “Joe Genocida” num momento em que a taxa de aprovação de Biden no cargo caiu para o nível mais baixo de qualquer presidente dos EUA nos últimos 15 anos, 33%. Este número é pior do que a mais baixa de Trump como presidente (36%) e a mais baixa desde George W. Bush , revela o resultado de uma sondagem ABC News/Ipsos.  

Quem também não recupera os níveis de popularidade é Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro - que viu frustrado pelo Supremo Tribunal uma controversa reforma judicial que o poria a salvo dos julgamentos que recaem sobre si - tem apenas 28% dos eleitores a afirmar que é a pessoa adequada para chefe do governo. Além de ser responsabilizado pelo ataque de 7 de outubro e por não ter conseguido a libertação dos reféns, a campanha militar também não é vista com bons olhos: só 9% disseram a uma sondagem para o jornal Maariv que Israel está amplamente a ganhar, e 30% crê que o país está a perder.

É neste quadro que o gabinete do primeiro-ministro anunciou estar a preparar para este ano “um orçamento de guerra” face ao aumento das despesas das operações em curso contra o Hamas, as quais deverão “ainda demorar muitos meses”.

Além disso, a frente com o Hezbollah continua ativa, como prova o lançamento de um míssil antitanque que matou dois israelitas no norte do país, horas depois de o exército ter matado “quatro terroristas” que tinham entrado no país oriundos do Líbano. 

cesar.avo@dn.pt

Diário de Notícias
www.dn.pt