O Supremo Tribunal espanhol condenou por corrupção o ex-ministro dos Transportes e ex-secretário da organização do Partido Socialista (PSOE), José Luis Ábalos, numa altura em que o governo de Pedro Sánchez se encontra em especial fragilidade com o acumular de processos judiciais em seu torno, da sua mulher Begoña Gómez ao ex-primeiro-ministro José Luis Zapatero. Mais uma vez, PP e Vox pediram a demissão ao chefe do executivo.Os sete juízes do tribunal superior condenaram Ábalos a 24 anos e três meses de prisão (mas com um máximo de 16 anos e meio efetivos). O seu assessor no ministério, Koldo García, também terá de enfrentar até um máximo de 15 anos na prisão (foi condenado a uma pena de 19 anos e oito meses). Já o empresário que os corrompeu, Víctor de Aldama, beneficiou da confissão e colaboração com as autoridades judiciais: foi condenado a quatro anos e meio, mas com pena suspensa e um ano de serviço cívico. Apesar de ter lucrado 3,7 milhões de euros no negócio da venda de máscaras faciais para duas entidades tuteladas pelo Ministério dos Transportes, em 2020, o empresário tem de devolver apenas 430 mil euros. .De Zapatero a Begoña Gómez: as investigações que abalam Sánchez.O tribunal deu como provado que, no negócio da aquisição de máscaras, Ábalos e García pediram, respetivamente, 2,5 milhões de euros. Também ficou provado que, entre 2019 e 2022, Aldama pagava a cada um 10 mil euros mensais. Ábalos foi ainda condenado por ter colocado duas mulheres em empresas públicas (a ex-Miss Astúrias 2017, Claudia Montes, e Jéssica Rodríguez), sem que estas tivessem trabalhado nas mesmas. Foi o próprio Ábalos que confirmou a “relação extraconjugal” com Rodríguez durante o julgamento. Esta esteve alojada num apartamento arrendado por 2700 euros, embora nem esta nem o ministro tivessem despendido um cêntimo na renda. A pena de Ábalos, de 67 anos, foi considerada pelo filho Víctor, de “perpétua”. Mostrou-se escandalizado pelo corruptor ter saído impune e ao seu pai, “que não é perigoso para ninguém”, ter sido imposta uma pena maior do que a “um pedófilo, um assassino, um etarra ou um violador”, disse ao ABC. Para Victor Ábalos, a finalidade da investigação não era o pai, mas atingir o primeiro-ministro.A queda de Ábalos, que foi considerado em tempos o número dois de Sánchez, levou a que o líder da oposição apontasse o caminho ao primeiro-ministro. “Estamos numa situação limite na democracia espanhola”, disse Alberto Núñez Feijóo, ao aludir a “demasiadas situações incompatíveis com a democracia”. O presidente do PP rejeitou, no entanto, o cenário de apresentar uma moção de censura sem ter uma maioria assegurada para que esta vingue. Ainda assim, apontou para uma moção do seu partido a exigir eleições antecipadas e que vai a votos amanhã, no Senado. Já o líder do Vox considerou que a sentença do caso das máscaras faz com que Pedro Sánchez “agora saiba perfeitamente qual é o futuro que o espera assim que deixar o poder”. Santiago Abascal recordou ainda que Ábalos foi a “mão direita” do primeiro-ministro e que foi este quem apresentou a moção de censura que viria a derrubar o governo do conservador Mariano Rajoy, também então manchado de casos de corrupção. À esquerda, a secretária-geral do Podemos, Ione Belarra, declarou sentir “uma deceção enorme” e disse que “o tempo de Sánchez acabou”.