Dois pilotos morreram no acidente no aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque.
Dois pilotos morreram no acidente no aeroporto de LaGuardia, em Nova Iorque.EPA/SARAH YENESEL

CEO da Air Canada anuncia saída após polémica com mensagem de condolências só em inglês

Dois pilotos da companhia aérea morreram quando o avião chocou contra um carro dos bombeiros, no aeroporto LaGuardia, em Nova Iorque, e Michael Rousseau ficou debaixo de fogo por não falar francês.
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O CEO da Air Canada, Michael Rousseau, informou esta segunda-feira, 30 de março, que vai reformar-se e deixar a companhia aérea no final do terceiro trimestre deste ano, depois de ter ficado debaixo de fogo por causa de uma mensagem de condolências apenas em inglês.

O Canadá é um país oficialmente bilingue, com o inglês e o francês a terem o mesmo estatuto a nível federal. A companhia aérea tem a sua sede em Montreal, no Quebeque, onde 80% da população é francófona.

Mas, depois de dois pilotos da companhia aérea terem morrido no choque com um carro dos bombeiros no aeroporto LaGuardia, em Nova Iorque, na semana passada, Rousseau apresentou as condolências apenas em inglês, num vídeo com legendas em francês.

Um dos pilotos, Antoine Forest, era francófono do Quebeque, enquanto o outro, Mackenzie Gunther, tinha como língua materna o inglês. O próprio primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, considerou que a ausência de uma mensagem em francês demonstrava falta de compaixão e de bom senso, dizendo que as pessoas tinham razão em estar "muito desapontadas".

Houve centenas de queixas em relação ao incidente. O chefe do Governo do Quebeque, François Legault, exigiu a demissão do CEO, lembrando que ele tinha prometido aprender francês quando assumiu o cargo, em 2021.

Rousseau pediu desculpa, dizendo estar triste por o seu limitado francês ter "desviado a atenção da profunda tristeza" dos familiares das vítimas. "Apesar de muitas aulas ao longo de vários anos, infelizmente, ainda não me consigo expressar adequadamente em francês", disse. "Peço sinceras desculpas por isso, mas continuarei a esforçar-me para melhorar."

Mas a pressão terá sido maior e o Conselho de Administração da Air Canada anunciou hoje que Rousseau lhes comunicou o desejo de sair, ao final de mais de 20 anos com a companhia aérea. "Em nome de todo o Conselho, quero agradecer ao Mike pelas suas inúmeras contribuições para a Air Canada, desde o seu percurso como diretor financeiro até vice-CEO e, posteriormente, CEO e membro do Conselho", indicou o presidente do Conselho de Administração, Vagn Sørensen, em comunicado.

"Estamos gratos pela liderança determinada que demonstrou, não só ao conduzir a nossa empresa durante a crise financeira de 2007-2008, a COVID-19 e outros desafios, mas também ao aproveitar oportunidades como a aquisição da Aeroplan, a restauração da solvência dos nossos planos de pensões e o avanço das prioridades de foco no cliente e bem-estar dos colaboradores", acrescentou.

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