Depois do tom conciliador usado por Donald Trump na conferência de imprensa após os tiros disparados no sábado à noite no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca - sugerindo que as suas convicções políticas o tornaram num alvo, mas também apelando à união e à reconciliação bipartidária num mundo cada vez mais violento - a porta-voz da presidência dos Estados Unidos adotou esta segunda-feira, 27 de abril, um tom mais crispado, acusando democratas e jornalistas de serem os culpados pelo ataque. “Ninguém nos últimos anos enfrentou mais balas e mais violência do que o presidente Trump. Esta violência política decorre de uma demonização sistémica dele e dos seus apoiantes por parte dos comentadores, sim, por parte de membros eleitos do Partido Democrata e até por alguns dos meios de comunicação social”, disse Karoline Leavitt, numa possível referência a esta ter sido a terceira vez que o presidente é visado. “Esta retórica odiosa, constante e violenta dirigida ao presidente Trump, dia após dia, durante 11 anos, ajudou a legitimar esta violência e trouxe-nos a este momento sombrio”.Já mais em linha com o que já tinha sido dito anteriormente por Donald Trump, Leavitt argumentou que, se o salão de baile da Casa Branca já estivesse construído, o ataque de sábado não teria ocorrido. “É por isso que o projeto do salão de baile da Casa Branca não é apenas um projeto divertido para o presidente Trump, como lerão nos meios de comunicação social; na verdade, é crucial para a nossa segurança nacional”, prosseguiu a porta-voz da Casa Branca. Leavitt pediu ainda ao Congresso que retome o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que está parcialmente paralisado desde fevereiro por causa de um impasse entre democratas e republicanos, referindo que a noite de sábado “serviu como mais um lembrete da importância de financiar o Departamento de Segurança Interna”, acrescentando que o Serviço Secreto, que faz parte do DHS, “foi diretamente impactado por este jogo político irresponsável”. Apesar destas críticas, a porta-voz da Casa Branca revelou que Trump “ficou satisfeito com a resposta [da segurança] e está muito grato aos homens e mulheres que a forneceram, bem como à sua esposa e aos membros da sua equipa”. A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, vai levar a cabo esta semana uma reunião com os líderes do Serviço Secreto (responsável pela segurança dos presidentes dos EUA) e do Departamento de Segurança Interna para discutir “protocolos e práticas” para grandes eventos que envolvam Trump, disse esta segunda-feira à Reuters um alto funcionário da Casa Branca. A mesma fonte sublinhou, porém, que Trump e a Casa Branca apoiam a liderança do Serviço Secreto.O hotel Washington Hilton, onde se estava a realizar o jantar, garantiu esta segunda-feira que estava a operar sob protocolos “rigorosos” do Serviço Secreto quando um homem - identificado como Cole Allen, um professor residente na Califórnia - violou a segurança e disparou tiros de espingarda nas suas instalações.“O hotel estava a operar sob protocolos de segurança rigorosos, de acordo com as diretrizes do Serviço Secreto dos EUA, que liderou a segurança”, afirmou um porta-voz do hotel em comunicado, acrescentando que o Serviço Secreto trabalhou em coordenação com várias equipas, incluindo a polícia de Washington DC e a segurança do hotel. Allen, de 31 anos, foi acusado esta segunda-feira de tentativa de assassinato do presidente e de crimes relacionados com armas de fogo, e ficará preso para já. Uma notícia avançada esta segunda-feira pelo Washington Post dava conta que, apesar da presença de Donald Trump, e vários membros da sua administração, bem como de eleitos do Congresso, o jantar não recebeu a classificação de segurança máxima do governo para eventos. O rescaldo deste incidente coincide com a visita de Estado de Carlos III e Camilla aos EUA, uma aposta do governo de Keir Starmer para tentar melhorar as relações entre Londres e Washington que têm vindo a ser feitos por Trump contra o primeiro-ministro britânico, principalmente desde o início da guerra no Irão. Mesmo assim, e apesar de ser público o fascínio do presidente dos EUA pela família real britânica, Carlos será poupado à potencial humilhação de ser repreendido publicamente por Trump, após a Casa Branca ter concordado que qualquer encontro entre os dois chefes de Estado deverá ocorrer sem câmaras, avançava esta segunda-feira o Guardian, horas antes da chegada do monarca a Washington..Casa Branca culpa "culto de ódio" da esquerda e obstrução democrata por atentado contra Trump.“O Assassino Federal Amigável” teria Trump como alvo, mas foi travado .Trump diz que atirador é "um louco". Presidente retirado do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca