Cabo Verde. Líder do PAICV celebra “maioria absoluta” como mensagem “clara”
Elton Monteiro/LUSA

Cabo Verde. Líder do PAICV celebra “maioria absoluta” como mensagem “clara”

“Podem esperar de nós tudo o que prometemos", disse Francisco Carvalho no discurso da vitória. Já o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva anunciou a demissão da liderança do MpD.
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O presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, disse esta segunda-feira, 18 de mao, que os cabo-verdianos falaram de forma “clara” ao darem “maioria absoluta” ao partido.

“Os cabo-verdianos passaram uma mensagem clara: chegou a hora de mudar a gestão do país”, referiu na declaração de vitória, pelas 00:15 (02:15 em Lisboa), na sede do PAICV, na cidade da Praia.

Segundo referiu, “já chegaram os resultados da América que faltavam: é maioria absoluta”.

Francisco Carvalho disse que era a vitória para a qual a equipa trabalhou, com “um projeto construído a partir da necessidade dos cabo-verdianos”.

“Podem esperar de nós tudo o que prometemos, com exceção do que depender de alterações constitucionais, porque o Movimento para a Democracia (MpD) não vai colaborar quanto a isso”, acrescentou.

Quanto ao resto, recordou promessas eleitorais chave para executar: acesso gratuito à universidade pública, a cuidados saúde, viagens domésticas de barco a 500 escudos (4,53 euros) e de avião a 5.000 escudos (45,35 euros).

“Não vamos invocar desculpas para não cumprir”, acrescentou.

Com Portugal, referiu que “o relacionamento é extraordinário, está para lá de bom”.

O PAICV vai governar “com responsabilidade e sentido de Estado, com enorme respeito pelo percurso que Cabo Verde tem feito e por todos os parceiros. Portugal tem sido um grande parceiro, seguramente vai continuar a ser e até, digo eu, vai ser ainda mais”, referiu.

Ainda em resposta a jornalistas, Francisco Carvalho disse esperar que “comunicação social, analistas e críticos” não deixem “passar em branco” o que classificou “compra de consciências”, no dia anterior às eleições, com oferta de produtos de mercearia (cestas básicas) em lojas da Praia e abertura de agências bancárias para “compra de pessoas”.

Uma situação acerca da qual acusou de inação tanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) como a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Segundo referiu, há uma “democracia de fachada” que tem de dar lugar “a coisas reais” e “não pode ficar tudo como está, para, numa próxima eleição, o MpD voltar a comprar votos”.

“Como é possível o candidato do MpD falar de pleno emprego em Cabo Verde”, questionou, reiterando necessário “falar de Cabo Verde real”, prometendo colocar “o assunto na agenda” para “aprofundar a democracia”.

Presidente do MpD deixa liderança do partido

Antes de Francisco Carvalho discursar, Ulisses Correia e Silva, presidente do Mpd, já tinha reconhecido a derrota, anunciado a demissão da liderança do seu partido e felicitando o líder do PAICV.

Ulisses Correia e Silva anunciou que vai deixar a liderança do Movimento para a Democracia (MpD)
Ulisses Correia e Silva anunciou que vai deixar a liderança do Movimento para a Democracia (MpD)ELTON MONTEIRO/LUSA

“Telefonei ao presidente do PAICV a felicitá-lo pelo resultado e a desejar-lhe sucessos na governação”, referiu Ulisses Correia e Silva no domingo à noite.

Ao fazer o discurso da derrota na sede nacional do MpD, na cidade da Praia, Ulisses Correia e Silva garantiu que o partido assumirá o seu papel no parlamento como "oposição responsável", comprometendo-se a continuar a servir Cabo Verde e a assegurar uma transição governativa tranquila.

"A passagem de pastas será assegurada com normalidade, como deve ser em democracia, garantindo uma transição tranquila e pacífica, demonstrando mais uma vez que Cabo Verde é uma democracia madura e respeita as regras institucionais", afirmou.

Perante os resultados, o líder do MpD indicou que irá apresentar a demissão da presidência do partido, para permitir a eleição de uma nova liderança.

"Não vou colocar o meu lugar à disposição, vou apresentar a minha demissão como presidente do MpD, para que o partido possa escolher um novo presidente, novos órgãos e novos dirigentes, entrando numa nova fase", declarou.

Ulisses Correia e Silva comentou ainda a "elevada abstenção", de cerca de 53%, sublinhando que este será um tema de reflexão interna para apurar as motivações.

"Será um trabalho que o partido irá fazer internamente e que também será objeto de análise por parte dos analistas", referiu.

Além disso, defendeu que a renovação interna é importante para o fortalecimento do partido, sublinhando que "as pessoas passam, as instituições continuam".

Apelou também à normalização da vida política após as eleições, defendendo uma mensagem de tranquilidade, aceitação dos resultados e redução da crispação política.

"A vida continua. Terminadas as eleições, devemos regressar à normalidade, transmitir ao país uma mensagem de tranquilidade e centrar-nos no essencial, que é fazer o país avançar", afirmou.

O líder do MpD considerou ainda que o desenvolvimento do país não depende apenas de quem governa, mas também dos cidadãos, das organizações e das instituições.

Ulisses Correia e Silva afirmou ainda que está na altura de encerrar o seu ciclo político.

"Há vida para além da política. Foram vários anos de dedicação, como primeiro-ministro, presidente da Câmara da Praia, deputado e membro do Governo. É tempo de dar lugar a outros", disse ainda.

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Ulisses Correia e Silva, o primeiro-ministro que acredita que vai ter uma terceira vitória em Cabo Verde

Segundo dados provisórios atualizados pelas 00:08 locais (02:00 em Lisboa) pelas autoridades eleitorais, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) lidera a contagem global com 88.390 votos (46,6%) e 33 deputados (de um total de 72), quando estão apurados os resultados provisórios de 1.302 mesas de voto (97.7% do total), registando-se uma taxa de abstenção global de 53.3%.

Na mesma altura, o MpD conta 82.946 votos (43,7%) e 30 deputados, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) 9.791 votos (5,2%) e dois deputados.

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