Zelensky foi mais uma vez recebido, esta quinta-feira, por Joe Biden na Casa Branca.
Zelensky foi mais uma vez recebido, esta quinta-feira, por Joe Biden na Casa Branca.EPA/ALEXANDER DRAGO / POOL

Biden anuncia ajuda, mas não é a que Kiev pede

Ciente de que poderá perder um aliado na Casa Branca, Volodymyr Zelensky tentou convencer presidente dos EUA para agir no imediato e em força.
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O encontro na Casa Branca com Joe Biden, no qual Volodymyr Zelensky depositou tanta esperança para convencer o presidente cessante da necessidade de oferecer ajuda urgente e decisiva, foi em parte esvaziado pelo anúncio prévio de um novo pacote de ajuda militar no valor de 7,9 mil milhões de dólares (7 mil milhões de euros).

O anúncio fez parte de uma declaração na qual o presidente dos Estados Unidos afirma que o seu país vai “fornecer à Ucrânia o que é necessário para vencer a guerra”. Tem como novidade o fornecimento das munições JSOW, com capacidade de atingir alvos até 110 quilómetros de distância, para equipar os caças F-16, além de mais uma bateria antiaérea Patriot. Zelensky agradeceu publicamente ainda antes de se sentar na Sala Oval, mas uma vez a sós, este, ao apresentar o seu “plano da vitória”, terá argumentado que a assistência anunciada é insuficiente. Para Kiev prevalecer, têm afirmado os seus dirigentes, é necessário um compromisso de que o país venha a fazer parte da NATO. E enquanto tal não acontece é preciso virar o tabuleiro da guerra com capacidades que até agora não foram fornecidas pelos aliados, em especial a possibilidade de infligir ataques em alvos militares em território russo. Convencer Biden de que nos meses que lhe restam no poder tem essa oportunidade histórica foi a missão de Zelensky em Washington.

Na véspera, quer o líder russo Vladimir Putin quer o seu público admirador Donald Trump fizeram declarações que poderão condicionar a perceção de Biden e da sua equipa. O primeiro anunciou uma atualização da doutrina nuclear, ameaçando com uma resposta atómica em caso de ataque convencional no seu território; e o segundo atacou Zelensky por não ter cedido território à Rússia e disse que a Ucrânia é hoje “um país em escombros” que não pode ser reconstruído. Além disso, responsabilizou Biden e Harris por terem dado assistência à Ucrânia “como país algum viu antes”. Fica cada vez mais claro que, caso o candidato pelos republicanos regresse ao poder, Kiev poderá perder o seu mais poderoso aliado. 

A reunião com Biden foi precedida de um encontro com senadores de ambos os partidos, na qual Zelensky falou na questão da autorização para utilizar mísseis norte-americanos em território russo. Segundo a CNN, alguns deram sugestões para o ucraniano tentar convencer Biden. A viagem a Washington completou-se com uma reunião com a vice-presidente e candidata democrata Kamala Harris, que já sinalizou mais do que uma vez de que neste tema não haverá qualquer mudança de política caso seja eleita. 

cesar.avo@dn.pt

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